EndometrioseGinecologia e Obstetrícia

Duvidas endometriose: o que você ainda não sabe

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Nos últimos anos, houve um aumento considerável de informações relacionadas às doenças femininas. Porém, justamente por esse excesso, é normal surgirem algumas dúvidas e desencontros de informações pela internet.

Nesse conteúdo vamos tratar, especificamente, da endometriose e ajudar você a tirar todas as suas dúvidas sobre a doença. Afinal, você sabe o que é e que relação ela tem com alguns hábitos do cotidiano, como alimentação e exercícios físicos?

Continue lendo o texto e esclareça as principais questões sobre a endometriose, suas causas, sintomas e tratamentos. Boa leitura!

Dúvidas sobre endometriose: Que doença é essa?

A endometriose se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao do endométrio, tecido que reveste internamente o útero, porém fora do útero.

Assim como o endométrio, as lesões de endometriose respondem aos hormônios do ciclo menstrual de forma semelhante. Ou seja, durante a menstruação há maior inflamação, o que geralmente causa maior dor nesse período.

As lesões de endometriose podem estar presentes em várias regiões do corpo, mas mais tipicamente na pelve (região mais baixa do abdômen).

Em casos mais extremos, pode acometer alguns órgãos mais distantes, como pulmão e sistema nervoso central. Mas esses são os casos mais raros!

Para se ter uma ideia, a endometriose acomete em torno de sete milhões de brasileiras. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, ela chega a afetar 15% das mulheres em fase reprodutiva no mundo todo.

Quais as causas dessa doença?

dúvidas endometrioseUma das dúvidas da endometriose mais comuns diz respeito às suas causas. E não à toa, visto que não há uma definição concreta de o que leva ao surgimento do problema.

Talvez não haja apenas uma causa para a doença, visto que existem diversas teorias para explicar o aparecimento e crescimento dessas lesões.

Uma das teorias mais conhecidas é a da chamada “menstruação retrógrada”. Nela, o fluxo menstrual além de sair por via vaginal, retorna através das trompas e cai na pelve. O problema dessa teoria é que praticamente todas as mulheres têm menstruação retrógrada. Então só isso não explica porque 10 a 15% dessas mulheres desenvolvem a endometriose.

Outras teorias incluem a origem embrionária dessas lesões, e outra ainda seria a transformação de algumas células em células de endometriose (chamada de metaplasia). A disseminação através da corrente sanguínea também poderia explicar endometriose em locais como o cérebro e pulmões. Mas são todas teorias por enquanto.

Outro fator que está associado é o fator imunológico. Em condições normais, nosso corpo é capaz de reconhecer e eliminar células que estão em locais inadequados. Em pacientes com endometriose, as células de endometriose estão em locais inadequados, mas por algum motivo não são eliminadas dessa região.

Alimentação também é outro fator que influencia o risco de ter endometriose. Alimentos inflamatórios contribuem para um processo chamado de estresse oxidativo, que está associado a endometriose. O consumo excessivo desses alimentos, portanto, aparentemente contribuem para aumento dos sintomas, ou mesmo para aumento das lesões.

Um dos fatores de risco predominantes da endometriose, segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose, é o fator genético. Cerca de 51% dos casos de endometriose ocorrem em pessoas que apresentam casos da doença na família.

Quais são os principais sintomas?

Outra dúvida muito recorrente é se há mais de um sintoma que sirva para identificação da endometriose.

O mais comum é a presença de cólica menstrual frequente e intensa. Inclusive, esse sintoma está presente em pelo menos 90% dos casos. Além disso, há outros indícios, como:

  • Dor de profundidade na vagina ou na pelve durante a relação sexual;
  • Dor para evacuar e/ou urinar;
  • Dor pélvica diária;
  • Sangramento nas fezes e/ou na urina;
  • Cansaço;
  • Constipação;
  • Dor pélvica no período da ovulação

Além disso, a endometriose é a principal causa de infertilidade. Para se ter uma ideia, estima-se que 40% das mulheres inférteis sejam portadoras desta doença.

Existem 4 principais explicações para essa relação entre endometriose e infertilidade:

  1. As aderências causadas pela inflamação das lesões de endometriose causam alteração do funcionamento das tubas uterinas, que não conseguem captar adequadamente os óvulos.
  2. A inflamação pélvica causada pela endometriose pode afetar a qualidade do óvulo, levando à queda na capacidade de engravidar.
  3. A capacidade do embrião se implantar no útero pode estar reduzida, principalmente em pacientes que além da endometriose também têm adenomiose.
  4. A endometriose pode causar redução da reserva de óvulos nos ovários da mulher, especialmente quando há endometriomas ovarianos.

Como são feitos o diagnóstico e o tratamento da endometriose?

dúvidas endometrioseO primeiro passo para realizar o diagnóstico é procurar ajuda profissional no momento em que os principais sintomas começarem a surgir.

É possível detectar a existência da doença já pela história clínica da paciente e no exame físico ginecológico. Só com essas informações já é possível suspeitar de endometriose na grande maioria das pacientes portadoras de endometriose, especialmente nos casos avançados.

Para aumentar a assertividade do diagnóstico, após a história clínica e exame físico, são solicitados alguns exames complementares, tais como:

  • Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal: O objetivo desse exame de imagem é de mapear todos os principais locais onde pode ser encontrados focos de endometriose profunda. Esse exame precisa ser realizado por um profissional com grande experiência na doença, pois a maioria das lesões são de difícil visualização por profissionais com pouca experiência.
  • Ressonância magnética com preparo intestinal: É outro exame utilizado para o mapeamento de lesões de endometriose profunda. A diferença em relação ao ultrassom, é que a ressonância permite ter uma visão mais global da pelve da mulher. Ele não é melhor nem pior que a ultrassonografia, mas pode trazer informações complementares.
  • CA 125: esse marcador pode estar elevado no sangue de pacientes com endometriose. O seu resultado normal não afasta a possibilidade de se ter endometriose. Mas níveis alterados geralmente estão associados a presença de endometriose profunda mais avançada. Ele é um marcador tumoral, e pode estar aumentado também em casos de câncer, principalmente de ovário. Porém não é um exame específico para câncer, e pode estar alterado em doenças benignas, tais como a endometriose.
  • Colonoscopia: Tem como objetivo avaliar o intestino quando já há evidências de endometriose no intestino, mas não é o melhor exame para o diagnóstico de endometriose intestinal. Lembrando que a endometriose compromete o intestino de fora pra dentro, e a colonoscopia é feita por dentro do intestino.

O tratamento de pacientes com endometriose dependem principalmente dos sintomas, repercussões à saúde e objetivos de cada paciente. Não é possível dizer que exista um tratamento melhor ou pior, visto que cada paciente pode ter uma resposta diferente a cada tratamento.

Podemos dividir os tipos de tratamento 2 principais tipos, o Medicamentoso e o Cirúrgico.

  1. Medicamentoso: Essa opção costuma ser recomendada principalmente para mulheres que não tem planos de engravidar e em casos mais leves. Trata-se de um tratamento à longo prazo que envolve o uso de analgésicos, anti-inflamatórios, pílulas anticoncepcionais, e tratamentos hormonais. Os principais objetivos dos tratamentos medicamentosos são de trazer maior conforto à paciente com redução dos sintomas de dor, e de tentar frear a evolução das lesões de endometriose. Nesses tratamentos estão incluídos tratamentos tradicionais e fitoterápicos.
  2. Cirúrgico: Através do procedimento cirúrgico, que pode ser via laparoscópica ou robótica, são feitas pequenas incisões no abdômen para que o cirurgião acesse a região afetada e retire todas as lesões. A cirurgia atualmente é a única maneira de retirar as lesões de endometriose. Geralmente está indicada nos casos em que o tratamento medicamentoso não foi eficaz para controlar os sintomas; nos casos em que a paciente tem contra-indicação a tratamento hormonal; nos casos de infertilidade em que a endometriose é causa da dificuldade, como alternativa à Fertilização in Vitro; e nos casos em que a endometriose pode causar riscos ao funcionamento de órgãos, tais como rins por exemplo.

Fora os tratamentos tradicionais, também existem outros hábitos que ajudam toda paciente portadora de endometriose a melhorar os sintomas:

  1. Cuidado com a alimentação: existem alimentos que podem influenciar tanto a evolução da doença quanto a intensidade dos sintomas. Evite alimentos inflamatórios e dê preferência por alimentos anti-inflamatórios!
  2. Qualidade do sono: privação de sono, como insônia ou apnéia do sono, intensificam a sensação de dor, além de reduzir a imunidade a longo prazo.
  3. Atividades físicas: a prática de atividades físicas regulares ajudam a controlar sintomas de dor, pela liberação de endorfinas e serotoninas.
  4. Manejo do estresse: atividades que contribuem para controlar estresse, ansiedade e depressão ajudam a controlar os sintomas de dor. Exemplos: meditação, relaxamento, massagens, yoga. A dor é real, não é psicológica! Mas o estado emocional da paciente influencia diretamente na percepção da intensidade da dor pelo seu corpo.

As 7 principais dúvidas sobre endometriose

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a endometriose, é hora de abordarmos alguns assuntos que costumam estar vinculados à doença, mas poucas pessoas sabem. Confira!

1 – Como a alimentação pode ser uma aliada?

dúvidas endometrioseMuitas pessoas têm dúvidas se a endometriose pode ser causada pelo consumo excessivo de determinados alimentos. Ainda não temos evidências suficientes para afirmar isso.

Porém, o que se sabe é que o grande consumo de carne vermelha, frituras e alimentos processados e ricos em gorduras colabora para a inflamação no nosso corpo. Em pacientes com endometriose isso significa em potencial aumento da sensação de dor.

Em contrapartida, ao adotar uma alimentação saudável e rica em ingredientes antioxidantes, o nosso corpo fica equilibrado, o que acaba levando a uma redução da inflamação, e consequentemente sintomas menos intensos. Além disso, uma alimentação saudável colabora com a melhora da imunidade, que é um fator importante na endometriose.

Confira alguns dos alimentos mais indicados para serem consumidos:

  • Frutas;
  • Legumes;
  • Vegetais de folhas verdes;
  • Oleaginosas;
  • Frutos secos e sementes.

É importante lembrar que a endometriose é “mantida” pelo hormônio estrogênio, que é o responsável pelos ciclos menstruais. Portanto, sugere-se evitar o consumo de alimentos ricos em fitoestrógenos, que possuem estrutura química semelhante ao do hormônio.

Deve-se dar preferência a frangos, ovos, leite e carnes orgânicos, ou seja, que não foram criados com o uso de hormônio. Também é aconselhado evitar o consumo de soja, alimento rico em fito-estrogênios.

2 – O anticoncepcional atua na prevenção e no tratamento da doença?

A endometriose tem relação direta com a oscilação hormonal do ciclo menstrual. Então, uma das opções de tratamento mais recomendadas consiste em bloquear a produção dos hormônios produzidos pelos ovários, e com isso bloquear a menstruação também. Com a redução do estímulo hormonal, as lesões de endometriose tendem a ficar menos inflamadas e ativas, e com isso os sintomas tendem a amenizar.

Para isso, é muito comum que o ginecologista recomende o uso contínuo de pílulas anticoncepcionais para minimizar os sintomas causados pela doença, principalmente as cólicas.

O uso do anticoncepcional pode ser feito de forma ininterrupta, a fim de evitar o sangramento de intervalo entre as cartelas. Alguns anticoncepcionais já vêm nesse formato para facilitar a vida da paciente.

Não há muita diferença do resultado do uso dos diversos contraceptivos para o controle dos sintomas da endometriose. Tipicamente temos dois principais tipos de contraceptivos, conforme sua formulação:

  1. Progestagênio: sua ação consiste na contraposição ao hormônio estrogênio nas células do endométrio e endometriose, levando a atrofia (redução) das células de endométrio.
  2. Pílulas combinadas (progestagênio + estrogênio): Nesse caso, como o estrogênio é sintético e não age como a versão natural do hormônio. Ao associar um estrogênio, evita-se escapes em excesso.

É importante destacar, porém, que se trata de um tratamento paliativo e contínuo. Ele não promove a cura definitiva. Tipicamente após a interrupção do anticoncepcional, os sintomas tendem a voltar em intensidade semelhante ao período anterior ao uso.

A escolha do contraceptivo deve ser feita pelo médico ginecologista, junto à paciente. Não tome anticoncepcionais por conta própria, ou por indicação de conhecidas ou amigas. Lembre-se que se trata de uma medicação, e pode ter seus potenciais riscos e contra-indicações a algumas pacientes.

3 – Qual a relação da atividade física com a endometriose?

Outra dúvida muito comum em relação a endometriose é se a atividade física pode promover uma melhoria nos seus sintomas. Assim como ocorre com diversas outras doenças, o exercício físico é um ótimo aliado.

Isso ocorre porque, durante a prática, há aumento da liberação de endorfina, que tem efeito vasodilatador e analgésico. Consequentemente, ele minimiza as dores e aumenta a sensação bem-estar e auto-estima.

Além disso, reduz-se a produção de estrógenos circulantes e, por isso, poderia auxiliar em uma menor progressão das lesões de endometriose.

Não bastasse tudo isso, a atividade física reduz os níveis de estresse e melhora qualidade do sono.  E como o estresse e qualidade do sono estão associadas a maior percepção de dor pelo nosso corpo, ao praticar atividades físicas regulares a sensação de dor tende a reduzir progressivamente.

Engana-se quem imagina que é preciso realizar horas e horas de exercícios para obter esses benefícios. Na verdade, o ideal é realizar atividades físicas pelo menos três vezes por semana, por aproximadamente 30 a 40 minutos por dia. Com isso, já há melhora nítida na qualidade de vida como um todo.

Quer entender melhor essa relação entre atividade física, bem-estar e endometriose? Confira na íntegra a entrevista que o Dr. Tomyo Arazawa, especialista em endometriose, concedeu!

4 – Por que o tratamento cirúrgico é considerado mais eficiente?

dúvidas endometrioseComo já falamos, existem duas principais formas de tratamento. Porém, entre as dúvidas em relação à endometriose, uma das mais importantes é em relação a eficiência da cirurgia.

É preciso ter em mente que a primeira alternativa é quase sempre medicamentosa. Após o diagnóstico, geralmente é recomendado alguma medicação para minimizar os sintomas da endometriose.

Porém, os medicamentos têm a capacidade somente de reduzir as dores e não de eliminar as lesões da endometriose. Dessa forma, a utilização de remédios é recomendada para casos mais brandos ou que encontram-se em estágio inicial.

Já a cirurgia é indicada quando a dor é persistente e intensa, apesar do uso do tratamento medicamentoso. Ou seja, frente a falha de outros tipos de tratamento.

Nesses casos, pode ser necessário realizar um dos seguintes procedimentos cirúrgicos:

  • Laparoscopia: Através de pequenos cortes, são inseridas pinças cirúrgicas compostas por câmeras, que permitem que o médico visualize os órgãos com precisão e consiga retirar todos os focos da doença;
  • Robótica: A cirurgia robótica é uma cirurgia laparoscópica. A diferença é que a manipulação das pinças é feita por um robô, controlado pelo cirurgião. Com essa tecnologia é possível melhorar ainda mais a qualidade da imagem e da precisão das pinças cirúrgicas.

Mais importante do que como é feita a cirurgia (por laparoscopia ou robótica), é a técnica cirúrgica usada pelo cirurgião. Na laparoscopia o cirurgião pode simplesmente fazer uma biópsia para confirmar a presença de endometriose e cauterizar as lesões (cauterização ou vaporização), ou retirá-las por completo em toda a sua profundidade (excisão).

A cirurgia ideal para pacientes com endometriose profunda (lesões com 5mm ou mais de profundidade) é a excisão. Ou seja, a retirada completa da lesão. Isso porque ao cauterizar lesões de endometriose profunda, a doença que fica mais na profundidade não é tratada adequadamente. Com isso o risco de recidiva dos sintomas é significativamente maior, por persistência de uma lesão que não foi completamente retirada.

Estudos apontam que ao fazer cauterização, cerca de 35% dessas pacientes terão recidiva dos sintomas após 1 ano. Ao fazer a cirurgia de excisão, apenas 3,9% terão recidiva.

O tratamento cirúrgico é ainda hoje a única alternativa para realmente eliminar as lesões de endometriose. E a melhor oportunidade da paciente para restabelecer qualidade de vida e melhorar seu futuro reprodutivo, sem depender de outras medicações. Mas mesmo após a cirurgia, é fundamental que a paciente cuide de sua saúde, para reduzir ainda mais o risco de recidiva.

Saiba mais como é realizada a cirurgia, incluindo os cuidados após a sua realização.

5 – A mulher tem endometriose e quer engravidar. E agora?

Essa é com certeza uma das dúvidas mais sensíveis e preocupantes em relação a endometriose. Apesar da doença ser a principal causa de infertilidade feminina (até 50% das pacientes portadoras), ter endometriose não é sinônimo de ser infértil.

O impacto da endometriose na fertilidade depende do local em que as lesões estão localizadas, do grau da endometriose e do impacto na reserva de óvulos. Antes de tomar qualquer decisão sobre o que fazer quanto ao seu caso de infertilidade e endometriose, procure um especialista que além de entender sobre endometriose, entenda também sobre fertilidade.

Em pacientes que estão tentando engravidar, os tratamentos hormonais são evitados, justamente porque vão agir como métodos contraceptivos. Nessas situações as opções de tratamento se restringem a tratamentos naturais, mudança do estilo de vida, e se ainda sim nada mudar, tratamento cirúrgico por laparoscopia ou tratamento de medicina reprodutiva.

A decisão por um tratamento ou outro depende de cada caso, e deve ser individualizado e personalizado. As opções são oferecidas e debatidas com o casal e a paciente portadora. Importante ressaltar que na maioria das situações não há um certo ou errado a fazer. Tudo depende dos fatores de infertilidade e das expectativas de cada casal.

Mas de forma geral, recomendamos o tratamento cirúrgico especialmente para as pacientes que apresentam muitos sintoma de dor, ou seja, quando a qualidade de vida já está bem prejudicada. Isso porque os tratamento de medicina reprodutiva, como a Fertilização, não tratam a endometriose, mas sim a fertilidade.

É importante destacar que nenhum tratamento consegue oferecer resultados de gravidez 100% eficazes. E que cada escolha vai levar a um caminho diferente.

A boa notícia é que a maioria das paciente têm uma boa chance de sucesso de gravidez e de restauração da qualidade de vida, desde que contando com o acompanhamento profissional especializado.

6 – Mulheres com endometriose correm o risco de ter uma gravidez de risco?

dúvidas endometrioseNa maioria das vezes, a mulher que é portadora de endometriose tem uma gravidez normal. Inclusive, as lesões causadas pela doença e as dores abdominais costumam regredir ao longo da gestação e durante a amamentação, pois o ciclo menstrual fica bloqueado.

Entretanto, nos casos mais graves de endometriose, é preciso tomar diversos cuidados durante a gestação, porque a mulher corre alguns riscos. Dentre eles, destacam-se:

  • Abortamento;
  • Gravidez ectópica;
  • Parto prematuro;
  • Pré-Eclâmpsia (pressão alta na gestação)

A maioria das pacientes com endometriose terão uma gestação saudável e segura. Em casos mais severos, é recomendado uma avaliação com especialistas para avaliar qual o risco da endometriose frente a gestação.

É importante destacar, ainda, que independentemente da gestação ser de risco ou não, após a parada da amamentação os sintomas costumam retornar, tão cedo os ciclos menstruais retornam a ativa.

7 – Porque a vida moderna está aumentando os casos de endometriose?

Segundo a Divisão de Endometriose do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP, há uma ligação muito forte entre a endometriose e o estilo de vida da mulher moderna.

Um dos motivos está no aumento do estresse. Assim como a endometriose, ele é estimulado pelos altos e baixos hormonais que prejudicam o sistema imunológico feminino.

Outra influência é a idade na qual as mulheres estão engravidando. Ao planejar a gestação para uma idade mais avançada, as mulheres ficam mais tempo com ciclos menstruais. Sem a pausa no ciclo, o tempo de  exposição aos hormônios e fatores de risco aumenta, o que pode auxiliar o aparecimento e crescimento das lesões.

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Nós sabemos que existem muitas dúvidas sobre a endometriose. Por isso, buscamos compartilhar algumas informações que consideramos relevantes sobre a doença com você.

É importante lembrar, ainda, que é essencial realizar check-ups periódicos com seu médico ginecologista. Através dessas visitas e exames complementares, é possível suspeitar e diagnosticar a endometriose em fases mais iniciais.Com isso, o tratamento tende a ser mais eficiente, além de impedir que a mulher sofra por mais tempo com os incômodos causados por ela.

Evite procurar o seu ginecologista somente quando a dor surgir. A prevenção é sempre o caminho mais curto para se tratar a endometriose de forma adequada e efetiva, além de garantir a qualidade de vida.

Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Atualmente é através dessas técnicas que ofereço tratamentos cirúrgicos complexos e avançados para minhas pacientes.

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Olá! Como a Alira pode te ajudar?
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