Ginecologia e Obstetrícia

Cirurgia para endometriose explicada por um especialista

By julho 30, 2018 No Comments
especialista cirurgia endometriose

Cólicas intensas, dor na relação sexual, dores pélvicas e dificuldade para engravidar. Quem sofre de endometriose sabe o quanto é desconfortável conviver com esses e outros tantos sintomas causados pela doença.

Apesar de existirem tratamentos medicamentosos para minimizar o problema, como o uso contínuo de anticoncepcional, muitas vezes, a melhor solução é optar pela cirurgia. Além de ser a única forma disponível de retirar as lesões de endometriose, os benefícios de uma cirurgia inclui a melhora dos sintomas de dor e a otimização da fertilidade.

Mas para a cirurgia para endometriose deve ser feita com a técnica adequada, com a excisão (retiradas das lesões), e não simplesmente cauterizá-las. Isso é o que vai garantir um menor risco de recidiva da doença e dos sintomas. Por isso procure sempre um cirurgião especialista!

Selecionamos as dúvidas mais comuns entre as pacientes e as esclarecemos junto a um especialista em cirurgia de endometriose. Veja até que ponto a cirurgia é necessária, quais suas vantagens e como é a recuperação.

Especialista em cirurgia para endometriose responde

  1. Em que casos é indicada a cirurgia?

Geralmente, o primeiro tratamento proposto após o diagnóstico da doença, é o medicamentoso. Porém, ele tem o intuito de minimizar os sintomas, e não de eliminar as lesões de endometriose.

Desta forma, um dos casos em que o especialista pode recomendar a cirurgia para endometriose é justamente quando a dor persiste ou é muito intensa, ou seja, quando o incômodo não é suavizado através dos remédios e, consequentemente, há uma redução significativa na qualidade de vida da mulher.

Outras situações são:

  • quando há dor intensa e a paciente tem contraindicações a certos fármacos, principalmente os hormonais (anticoncepcionais e outros que bloqueiam a ovulação); ou quando esses medicamentos são inefetivos para controlar os sintomas de dor;
  • quando a mulher (e o casal) já apresenta um quadro de infertilidade e, por isso, não deve receber tratamentos hormonais (pois geralmente são anticoncepcionais);
  • quando a endometriose está comprometendo as funções de outros órgãos (grau avançado da doença). Por exemplo, a endometriose de ureter, que é a estrutura por onde a urina passa do rim para a bexiga. Sua obstrução pode levar à perda do rim.
  1. Qual o método mais usado para a cirurgia e como ele funciona?

A técnica cirúrgica indicada para o tratamento da endometriose é a laparoscopia. Deve-se evitar cirurgias convencionais, pois pela via convencional não é possível identificar e tratar as lesões de endometriose com tanta precisão. A laparoscopia oferece além de uma melhor visão, uma precisão superior, e recuperação pós-operatória mais confortável às pacientes.

Trata-se de um procedimento em que são realizados pequenos cortes de 0,5cm a 1,5cm no abdômen, por onde é injetado um gás, e por onde entram a câmera e as pinças cirúrgicas.

Para que a cirurgia seja eficiente, além da experiência da equipe em cirurgias laparoscópicas avançadas (as cirurgias para endometriose podem ser uma das mais complexas), a avaliação pré-operatória deve ser realizada de forma completa, com mapeamento de todas as principais lesões. Esse mapeamento com exames como Ressonância Magnética e Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, permite um planejamento cirúrgico mais adequado. Com isso, o risco da cirurgia também é reduzido.

Outra alternativa é a cirurgia robótica. A cirurgia robótica é uma cirurgia laparoscópica auxiliada por um robô, que é controlado pelo cirurgião. A vantagem frente a laparoscopia convencional é uma maior precisão nos movimentos, além de melhor visão do cirurgião (as imagens são em 3D).

Ambas as técnicas, laparoscopia e robótica, são minimamente invasivas (causam menor trauma cirúrgico), permitem uma melhor recuperação e melhores resultados em relação à fertilidade.

  1. Como funciona o procedimento cirúrgico em si?

Inicialmente, o cirurgião realiza uma incisão de 1 cm no umbigo e preenche a cavidade abdominal com gás carbônico. Isso cria um espaço para passar pequenos portais, chamados de trocateres. Neles, são inseridos os instrumentos que vão permitir a visualização, dissecção e excisão das lesões de endometriose.

Em um primeiro momento, realizamos uma visualização de toda o abdômen, para mapear em quais região há sinais de endometriose. Isso inclui toda a região da pelve, como útero, bexiga, reto (parte final do intestino), ovários, tubas uterinas e peritônio (membrana que recobre os órgãos internos). Procuramos por eventuais lesões também em outras regiões, como diafragma, apêndice cecal e intestino delgado. Lesões de endometriose nessas regiões são mais raras, e também mais difíceis de serem diagnosticadas através de exames de imagem.

A partir de então, todas as lesões identificadas vão uma a uma sendo dissecadas e retiradas. Nesse processo, outras estruturas que não devem ser danificadas, como ureteres, vasos sanguíneos e nervos da pelve são dissecados e separados das lesões de endometriose.

  1. Qual o tipo de anestesia utilizado?

A anestesia utilizada é a anestesia geral. Isso porque o médico anestesista precisa ter controle total sobre a paciente, inclusive sobre seu ritmo de respiração e oxigenação. Somente a raquidiana não permitiria efetuar a cirurgia com segurança. No entanto, em muitos casos, pode-se fazer uma combinação das duas, pois a segunda oferece um conforto maior à mulher ao acordar da cirurgia, principalmente quanto ao controle da dor.

  1. Qual o tempo necessário de permanência no hospital?

O tempo de permanência no hospital depende do tipo de procedimento realizado e da recuperação de cada paciente. De modo geral, as pacientes precisam de cerca de 24h de internação. Esse período é maior quando o intestino também é operado (cerca de dois a quatro dias de internação).

  1. Quanto tempo dura a recuperação?

A reabilitação costuma ser rápida e sem complicações, mas também depende do tipo de cirurgia e de cada pessoa. Em média, a mulher está apta a retornar ao trabalho entre sete e 14 dias, e às atividades esportivas, em um mês. Durante este tempo, porém, é importante ter alguns cuidados especiais, como:

  • repousar em casa;
  • evitar grandes esforços;
  • não manter relações sexuais nas duas primeiras semanas.

Junto a isso, é imprescindível aliar uma alimentação leve e equilibrada a uma boa hidratação, fatores que podem acelerar a recuperação do organismo. Ainda durante este período, pode ser preciso fazer algumas consultas ao especialista para avaliar as evoluções e os resultados da cirurgia para endometriose.

A diferença de fazer esse tipo de cirurgia com um especialista e um não especialista, é que as chances de recidiva da doença e dos sintomas é maior se feita por um não especialista. Cirurgiões experientes e especialistas em endometriose vão fazer o máximo para retirar todas as lesões de endometriose. Com isso a chance da melhora significativa da dor é maior, e o risco de recidiva da doença é muito menor.

Por isso, caso você tenha o diagnóstico de endometriose profunda, e precise fazer uma cirurgia, procure um médico ginecologista especialista em endometriose ou em cirurgias laparoscópicas avançadas para a sua cirurgia. O risco de complicações, apesar de existir, será muito menor, além da chance de melhora dos sintomas de dor e de fertilidade ser maiores.

Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Atualmente é através dessas técnicas que ofereço tratamentos cirúrgicos complexos e avançados para minhas pacientes.

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