Ginecologia e Obstetrícia

Cirurgia para endometriose explicada por um especialista

especialista cirurgia endometriose

Cólicas intensas, dor na relação sexual, dores pélvicas e dificuldade para engravidar. Quem sofre de endometriose sabe o quanto é desconfortável conviver com esses e outros tantos sintomas causados pela doença.

Apesar de existirem tratamentos medicamentosos para minimizar o problema, como o uso contínuo de anticoncepcional, muitas vezes, a melhor solução é optar pela cirurgia. Além de ser a única forma disponível de retirar as lesões de endometriose, os benefícios de uma cirurgia inclui a melhora dos sintomas de dor e a otimização da fertilidade.

Mas para a cirurgia para endometriose deve ser feita com a técnica adequada, com a excisão (retiradas das lesões), e não simplesmente cauterizá-las. Isso é o que vai garantir um menor risco de recidiva da doença e dos sintomas. Por isso procure sempre um cirurgião especialista!

Selecionamos as dúvidas mais comuns entre as pacientes e as esclarecemos junto a um especialista em cirurgia de endometriose. Veja até que ponto a cirurgia é necessária, quais suas vantagens e como é a recuperação.

Especialista em cirurgia para endometriose responde

  1. Em que casos é indicada a cirurgia?

Geralmente, o primeiro tratamento proposto após o diagnóstico da doença, é o medicamentoso. Porém, ele tem o intuito de minimizar os sintomas, e não de eliminar as lesões de endometriose.

Desta forma, um dos casos em que o especialista pode recomendar a cirurgia para endometriose é justamente quando a dor persiste ou é muito intensa, ou seja, quando o incômodo não é suavizado através dos remédios e, consequentemente, há uma redução significativa na qualidade de vida da mulher.

Outras situações são:

  • quando há dor intensa e a paciente tem contraindicações a certos fármacos, principalmente os hormonais (anticoncepcionais e outros que bloqueiam a ovulação); ou quando esses medicamentos são inefetivos para controlar os sintomas de dor;
  • quando a mulher (e o casal) já apresenta um quadro de infertilidade e, por isso, não deve receber tratamentos hormonais (pois geralmente são anticoncepcionais);
  • quando a endometriose está comprometendo as funções de outros órgãos (grau avançado da doença). Por exemplo, a endometriose de ureter, que é a estrutura por onde a urina passa do rim para a bexiga. Sua obstrução pode levar à perda do rim.
  1. Qual o método mais usado para a cirurgia e como ele funciona?

A técnica cirúrgica indicada para o tratamento da endometriose é a laparoscopia. Deve-se evitar cirurgias convencionais, pois pela via convencional não é possível identificar e tratar as lesões de endometriose com tanta precisão. A laparoscopia oferece além de uma melhor visão, uma precisão superior, e recuperação pós-operatória mais confortável às pacientes.

Trata-se de um procedimento em que são realizados pequenos cortes de 0,5cm a 1,5cm no abdômen, por onde é injetado um gás, e por onde entram a câmera e as pinças cirúrgicas.

Para que a cirurgia seja eficiente, além da experiência da equipe em cirurgias laparoscópicas avançadas (as cirurgias para endometriose podem ser uma das mais complexas), a avaliação pré-operatória deve ser realizada de forma completa, com mapeamento de todas as principais lesões. Esse mapeamento com exames como Ressonância Magnética e Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, permite um planejamento cirúrgico mais adequado. Com isso, o risco da cirurgia também é reduzido.

Outra alternativa é a cirurgia robótica. A cirurgia robótica é uma cirurgia laparoscópica auxiliada por um robô, que é controlado pelo cirurgião. A vantagem frente a laparoscopia convencional é uma maior precisão nos movimentos, além de melhor visão do cirurgião (as imagens são em 3D).

Ambas as técnicas, laparoscopia e robótica, são minimamente invasivas (causam menor trauma cirúrgico), permitem uma melhor recuperação e melhores resultados em relação à fertilidade.

  1. Como funciona o procedimento cirúrgico em si?

Inicialmente, o cirurgião realiza uma incisão de 1 cm no umbigo e preenche a cavidade abdominal com gás carbônico. Isso cria um espaço para passar pequenos portais, chamados de trocateres. Neles, são inseridos os instrumentos que vão permitir a visualização, dissecção e excisão das lesões de endometriose.

Em um primeiro momento, realizamos uma visualização de toda o abdômen, para mapear em quais região há sinais de endometriose. Isso inclui toda a região da pelve, como útero, bexiga, reto (parte final do intestino), ovários, tubas uterinas e peritônio (membrana que recobre os órgãos internos). Procuramos por eventuais lesões também em outras regiões, como diafragma, apêndice cecal e intestino delgado. Lesões de endometriose nessas regiões são mais raras, e também mais difíceis de serem diagnosticadas através de exames de imagem.

A partir de então, todas as lesões identificadas vão uma a uma sendo dissecadas e retiradas. Nesse processo, outras estruturas que não devem ser danificadas, como ureteres, vasos sanguíneos e nervos da pelve são dissecados e separados das lesões de endometriose.

  1. Qual o tipo de anestesia utilizado?

A anestesia utilizada é a anestesia geral. Isso porque o médico anestesista precisa ter controle total sobre a paciente, inclusive sobre seu ritmo de respiração e oxigenação. Somente a raquidiana não permitiria efetuar a cirurgia com segurança. No entanto, em muitos casos, pode-se fazer uma combinação das duas, pois a segunda oferece um conforto maior à mulher ao acordar da cirurgia, principalmente quanto ao controle da dor.

  1. Qual o tempo necessário de permanência no hospital?

O tempo de permanência no hospital depende do tipo de procedimento realizado e da recuperação de cada paciente. De modo geral, as pacientes precisam de cerca de 24h de internação. Esse período é maior quando o intestino também é operado (cerca de dois a quatro dias de internação).

  1. Quanto tempo dura a recuperação?

A reabilitação costuma ser rápida e sem complicações, mas também depende do tipo de cirurgia e de cada pessoa. Em média, a mulher está apta a retornar ao trabalho entre sete e 14 dias, e às atividades esportivas, em um mês. Durante este tempo, porém, é importante ter alguns cuidados especiais, como:

  • repousar em casa;
  • evitar grandes esforços;
  • não manter relações sexuais nas duas primeiras semanas.

Junto a isso, é imprescindível aliar uma alimentação leve e equilibrada a uma boa hidratação, fatores que podem acelerar a recuperação do organismo. Ainda durante este período, pode ser preciso fazer algumas consultas ao especialista para avaliar as evoluções e os resultados da cirurgia para endometriose.

A diferença de fazer esse tipo de cirurgia com um especialista e um não especialista, é que as chances de recidiva da doença e dos sintomas é maior se feita por um não especialista. Cirurgiões experientes e especialistas em endometriose vão fazer o máximo para retirar todas as lesões de endometriose. Com isso a chance da melhora significativa da dor é maior, e o risco de recidiva da doença é muito menor.

Por isso, caso você tenha o diagnóstico de endometriose profunda, e precise fazer uma cirurgia, procure um médico ginecologista especialista em endometriose ou em cirurgias laparoscópicas avançadas para a sua cirurgia. O risco de complicações, apesar de existir, será muito menor, além da chance de melhora dos sintomas de dor e de fertilidade ser maiores.

Guia da Mulher Adulta Download Powered by Rock Convert
Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Hoje minha dedicação está voltada a atenção, assistência e estudos a pacientes com dor pélvica e especialmente endometriose.

1
Olá! Posso te ajudar com alguma dúvida sobre agendamento de consultas?
Powered by