Ginecologia e Obstetrícia

Vantagens da cirurgia para endometriose

cirurgia para endometriose

Quando chegam aos 30 anos, as mulheres tendem a se preocupar um pouco mais com a fertilidade e a saúde de seu aparelho reprodutor. A endometriose, por exemplo, é uma doença com alta prevalência nessa faixa etária, pode dificultar uma gravidez, ser uma das causas de dor pélvica crônica, e, para piorar, ainda gera muitas dúvidas.

Caracterizada pela presença de tecidos do endométrio fora da cavidade uterina (como por exemplo nos ovários, nos ligamentos uteros-sacros, podendo acometer até mesmo o intestino), o problema pode surgir durante toda a vida fértil da mulher, ou seja,  em geral dos 12 aos 50 anos, mas geralmente seu diagnóstico é feito ao redor dos 30 anos. Neste texto, falamos sobre uma das principais formas de tratamento: a cirurgia para endometriose.

A endometriose tem cura?

Ela é considerada uma doença crônica, portanto, não possui uma cura definitiva. Porém, existem tratamentos, com procedimentos cirúrgicos ou medicamentos medicamentosos específicos, que podem ajudar as pacientes a levar uma vida normal. Estudos recentes, inclusive, mostram que algumas cirurgias podem diminuir ou retardar os sintomas da endometriose e, até mesmo, a recorrência das lesões.

Qual o principal tratamento para endometriose?

Embora existam tratamentos feitos a partir de medicamentos, esse método tem como principal objetivo amenizar as manifestações da doença e desacelerar a evolução das lesões. Portanto, não é capaz de eliminá-las.

A forma mais tradicional de tratamento ainda é a cirurgia para endometriose, preferencialmente realizada por videolaparoscopia ou por robótica. Esses recursos permitem a retirada das lesões o mais completo possível e com a preservação de estruturas nobres ( como ureter, vasos sanguíneos e nervos), o que contribui para uma cirurgia mais segura e com diminuição significativa da dor. O procedimento também pode melhorar a fertilidade em grande parte das pacientes.

A operação, porém, não é indicada para todas as mulheres. Os principais motivos que levam os médicos a sugerir o tratamento cirúrgico são dores fortes,  infertilidade e obstrução intestinal ou do aparelho urinário nos casos mais graves.

Por isso, pacientes que apresentem poucos ou nenhum sintoma da doença e que não possuam lesões que coloquem em risco as funções de algum órgão não são aconselhadas a realizar a cirurgia para endometriose.

Como a cirurgia para endometriose é feita

O procedimento laparoscópico é realizado por meio de cortes bem pequenos, onde são inseridos instrumentos finos e longos, que são as pinças cirúrgicas, e com auxílio de uma câmera  permite que o médico visualize toda a área acometida e retire os focos da doença. Já no caso da robótica o médico faz a cirurgia por meio de pequenos cortes também, mas manipulando as pinças cirúrgicas através de um robô.

Nos dois casos a operação é minimamente invasiva, já que as incisões têm, em média, 0,5 cm cada. Uma grande vantagem em relação a isso, além de o trauma para o organismo ser menor, é que as cicatrizes são mínimas, quase imperceptíveis.

Em até 50% dos casos, existe o risco de as lesões retornarem nos dois anos seguintes ao tratamento. Se a cirurgia for incompleta (quando não forem removidas todas as feridas lesões ), é provável que novos focos apareçam rapidamente.

Como é o pós-operatório da cirurgia para endometriose

No geral a paciente recebe alta no dia seguinte da cirurgia, podendo permanecer mais dias dependendo da complexidade do procedimento, são consideradas cirurgias mais complexas aquelas que envolvem o intestino, por exemplo.

Depois da alta do hospital, a recuperação varia entre 14 e 40 dias. Nesse tempo, recomenda-se:

Repousar na primeira semana, mesmo sem a necessidade de permanecer constantemente na cama;
Evitar atividades que demandem muito esforço, como faxinas;
Pausar a rotina de exercícios físicos;
Não manter relações sexuais por 30 dias;
Beber, ao menos, 1,5 litros de água diariamente;
Ter uma alimentação balanceada e leve, rica em fibras e evitando alimentos obstipantes e gordurosos.

Durante o pós-operatório, em alguns casos, há a necessidade de voltar regularmente ao ginecologista para verificar a evolução do quadro e avaliar os resultados.

Riscos da cirurgia para endometriose

Como em qualquer operação, existe o risco de alergia ao agente anestésico, embora seja uma complicação pouco frequente, e as infecções também podem representar uma ameaça. Pacientes que apresentem febre acima dos 38°C, dores fortes no local das incisões e inchaço devem buscar ajuda médica imediatamente.

A cirurgia laparoscópica para endometriose é um método de tratamento interessante para as mulheres portadoras da doença que desejem engravidar. Porém, é importante lembrar que somente um profissional capacitado está apto a dizer, com precisão, qual alternativa é a mais indicada em cada caso.

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Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Hoje minha dedicação está voltada a atenção, assistência e estudos a pacientes com dor pélvica e especialmente endometriose.

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