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É normal ter sangramento na relação?

sangramento na relação

Afinal, é normal ter sangramento na relação sexual? A resposta é NÃO, isso não pode ser considerado totalmente normal, e portanto uma avaliação por um médico ou médica ginecologista é importante!

Por vezes algumas mulheres podem perceber um sangramento vaginal relacionado ao ato sexual. Esse sangramento pode aparecer durante ou logo após a relação.

Muitas ignoram, provavelmente por já terem passado por essa situação e acharem ser algo comum, enquanto outras ficam temerosas de que isso represente alguma coisa grave.

Contudo, devemos ter em mente que o sangramento na relação sexual não necessariamente significa que seja um problema de saúde sério.

Na verdade, as causas desse sangramento podem ser diversas, das mais inofensivas até às que demandam cuidados urgentes. Assim, é preciso passar pela avaliação precisa de um ginecologista para que o tratamento adequado seja prescrito.

Neste artigo eu, Dr Tomyo Arazawa, explico sobre as principais causas de sangramento na relação sexual. Para saber mais sobre o assunto, me acompanhe no Instagram @drtomyo !

Principais possíveis causas para um sangramento na relação

1- Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)

São diversas as doenças que podem ser contraídas com a prática sexual sem proteção, porém, elas costumam ter sintomas similares. Além de corrimento, coceira, cheiro anormal e desconforto durante o sexo ou ao urinar, também pode haver sangramento na relação. Isso acontece porque as bactérias sexualmente transmissíveis podem causar uma inflamação no colo do útero (colpite) ou no útero (endometrite). E na relação sexual essa inflamação pode resultar em sangramento.

Através de exame clínico ginecológico e exames laboratoriais, é possível identificar a existência de uma DST e, em seguida, realizar o tratamento adequado. Se confirmada a hipótese de uma DST, tanto a paciente quanto o parceiro ou parceira devem ser tratados.

2- Endometriose

A endometriose é uma doença na qual um tecido parecido com o endométrio (camada interna do útero), aparece e cresce fora do útero. Diferentemente da DST, que geralmente acontece uma ou outra vez ao longo da vida, quem tem endometriose pode ter esse sintoma por muito tempo. O sangramento na relação nos casos de endometriose geralmente ocorrem pela inflamação crônica causada pela doença. Além disso, pode ser um indício de endometriose na região da vagina, geralmente no fundo vaginal.

O sangramento na relação é somente um dos indícios, e o mais preocupante deles é a dor e o risco de infertilidade.

Os tratamentos para endometriose são diversos, desde medidas comportamentais, medicamentos ou mesmo cirurgia laparoscópica ou robótica. Abaixo vou deixar um Ebook gratuito com tudo o que você precisa saber sobre essa doença.

3- Candidíase vaginal

A candidíase vaginal é um dos corrimentos vaginais mais frequentes na mulher. É causado por um fungo chamado Candida Albicans, e geralmente aparece quando a imunidade da mulher diminui. Outra situação que aparece com mais frequencia é após o uso de antibióticos. Esse corrimento geralmente causa bastante coceira na região da vagina, além de um corrimento mais espesso e grumoso.

O sangramento na relação geralmente vem junto com dor na relação sexual, especialmente de penetração. Isso porque a candidíase deixa a região da vagina extremamente inflamada e sensível, e a relação acaba causando fissuras e sangramento.

O tratamento geralmente requer uso de anti-fúngicos por via oral ou por via vaginal. Além disso, é fundamental cuidar da saúde imunológica.

4- Ectopia cervical

A chamada “feridinha no colo do útero” na verdade não é uma ferida e sim a exposição de células de dentro do colo do útero (células glandulares) para a região da vagina. É uma região no meio do colo do útero mais avermelhada e sensível e que pode sangrar na relação sexual. Esse achado é muito mais comum em mulheres jovens, e nem sempre precisa ser tratado. Esses sangramento de ectopias são mais frequentes quando associados a doenças sexualmente transmissíveis ou a outros corrimentos vaginais.

5- Câncer

O câncer no colo do útero é tido como a possível causa mais grave. Felizmente, ele raramente é o responsável pelo sangramento na relação. Trata-se de um tumor maligno que se desenvolve no útero, e que está associada a infecção por HPV (Papiloma Vírus Humano). O câncer de colo uterino tem uma evolução geralmente lenta. O HPV causa alterações ao longo de meses e anos, e antes de virar câncer é possível detectar a doença em fases mais iniciais. Essa é uma das importâncias da consulta ginecológica anual, com exames de Papanicolaou e de pesquisa do HPV. 

O sangramento nesse caso ocorre pois as lesões de câncer geralmente têm mais vasos sanguíneos. E na relação esses vasos podem sangrar.

É importante ressaltar que nem todos os vírus HPV vão causar câncer de colo de útero ou de vagina. O HPV é considerado uma doença sexualmente transmissível, e portanto o uso de preservativo é importantíssimo para evitar essa infecção.

6- Falta de lubrificação e sexo muito intenso

Quando a vagina está muito seca o atrito pode desencadear o surgimento de traumas, levando ao sangramento na relação. O mesmo acontece quando o ato sexual é muito intenso. Lembre-se de que a vagina é sensível e situações assim podem machucá-la facilmente.

O ideal, nesses casos, é verificar o que está causando a falta de lubrificação, se é uma questão hormonal ou psicológica, e buscar orientação.

7- Vaginismo

O vaginismo é uma contração involuntária da musculatura da região em volta da vagina, o que impede a penetração e gera dor. A maioria das pacientes com vaginismo não conseguem ter relação sexual por causa da dor. Mas quando conseguem, por causa da contração a resistência a penetração aumenta, o que pode gerar traumas na vagina. 

Trata-se de um distúrbio fisiológico e/ou psicológico que, geralmente, requer que a mulher procure auxílio terapêutico para descobrir as causas-raiz.

 

Não é normal ter sangramento na relação sexual. Nem durante nem depois. Portanto, se você apresentar esse sinal, especialmente junto a sintomas de dores na relação, procure seu ginecologista para uma avaliação. Doenças potencialmente mais sérias, como a infecção, endometriose e câncer podem ser facilmente detectadas quando avaliadas por um especialista. E o tratamento precoce irá evitar complicações e as sequelas dessas doenças.

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Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Hoje minha dedicação está voltada a atenção, assistência e estudos a pacientes com dor pélvica e especialmente endometriose.

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