Ginecologia e Obstetrícia

Como diferenciar o corrimento e quando se preocupar?

quando se preocupar com corrimento

O corrimento vaginal é o nome que se dá à secreção de fluidos que costuma ser notada principalmente na calcinha. Geralmente é considerado algo normal e natural, visto que é responsável por manter a vagina lubrificada, limpa e protegida contra infecções.

Porém, dependendo da cor, textura e odor, esse corrimento passa a ser um sinal de alerta e pode indicar que algo está errado, inclusive que há presença de alguma doença.

Mas afinal, você sabe quando se preocupar com corrimento? Para auxiliar nesse entendimento, destacamos como diferenciar as secreções, o que cada uma pode estar representando e como preveni-las. Boa leitura!

Quando é preciso se preocupar com corrimento?

De forma geral a secreção vaginal é considerada algo comum e, portanto, presente na vida de todas as mulheres. Porém, é preciso saber identificar quais são as características consideradas normais para, então, entender quando se preocupar com o corrimento.

Para ser considerada dentro dos padrões de normalidade, a secreção deve:

  1. Ser de cor clara;
  2. Ser livre de odor;
  3. Não vir acompanhada de coceira, ardência e algum tipo de dor;
  4. Não apresentar alterações na pele da vulva, como assaduras, úlceras ou fissuras.

Quanto à textura, ela pode variar durante a ovulação devido às alterações hormonais, visando facilitar o acesso do espermatozóide ao útero e promover a fecundação. Portanto, no meio do ciclo, o corrimento aumenta de quantidade e fica um pouco mais elástica, lembrando um pouco a clara de ovo.

No momento em que a secreção se modifica, foge dessas características e/ou então aumenta de quantidade após as relações sexuais, é fundamental buscar ajuda de um médico ginecologista.

Afinal, o corrimento em si nada mais é do que uma resposta que o organismo dá frente a alguma ação interna. Ele pode estar indicando a existência de alguma infecção, processo alérgico ou mesmo que uma doença está acometendo o seu corpo no momento.

5 tipos de corrimento considerados “anormais”

Agora que você já sabe as características consideradas normais, é hora de conhecer as secreções “anormais”. Confira o que as demais colorações podem estar representando e quando se preocupar com o corrimento!

1 – Amarelado

O muco de tonalidade amarelada normalmente é sinal de infecção ginecológica, principalmente se ela vier acompanhada de odor desagradável, ardência ou coceira na região da vagina.

As causas mais comuns são:

  • Clamídia: Trata-se de um doença sexualmente transmissível que é causada por uma bactéria e que, além do corrimento de aspecto amarelo turvo, pode apresentar dor para urinar e durante o ato sexual, bem como sangramento após (contudo, alguns casos de infecção por clamídia podem ser assintomáticos);
  • Gonorreia: Essa DST apresenta os mesmos sintomas que a clamídia, gerando dificuldade de ser diagnosticada previamente partindo de seus sinais;
  • Tricomoníase: Trata-se de uma infecção causada por um protozoário e que pode ser transmitida através do contato íntimo. Além da coloração e o mau cheiro, apresenta outros sinais como aspecto um pouco bolhoso, dor ao urinar, dor ou sangramento durante a relação sexual e irritação na vulva. Há casos em que ele permanece assintomático por um bom tempo até começar a apresentar os sintomas.

É importante destacar que somente a coloração amarelada não é indício de que há problemas. Quando o corrimento branco entra em contato na calcinha e fica exposto ao ar, por exemplo, ele igualmente ganha essa tonalidade.

Assim, é preciso que ele venha acompanhado principalmente do mau cheiro para indicar que há infecção.

Na dúvida, indica-se sempre buscar a avaliação de um ginecologista, principalmente porque, no caso de ser clamídia ou gonorreia, a doença desencadeia infecção do colo do útero ou até da pelve e pode estar associado a dificuldade de engravidar.

2 – Esbranquiçado e pastoso

A coloração branca costuma indicar a presença de uma secreção normal. Porém, se ela for espessa, pastosa, leitosa ou com grumos (tipo queijo cottage), as chances de se tratar de uma candidíase são enormes.

A candidíase é uma infecção causada por um fungo que já existe no corpo, mas que, por algum desarranjo nas condições habituais do organismo, multiplicou-se. As causas mais comuns para esse aumento de quantidade são:

  • Estresse;
  • Uso excessivo de antibiótico;
  • Traumas;
  • Hábitos como uso de roupas “abafadas” na região íntima ou ficar com biquíni molhado;
  • Doenças diversas, como diabetes.

Quando isso ocorre, o fungo passa a causar sintomas como coceira e dor ao urinar, além de modificar o odor do corrimento.

Apesar dos incômodos, trata-se de uma doença facilmente tratável através de remédio antifúngico. Porém, é fundamental que a indicação medicamentosa seja realizada por um profissional para que haja a plena recuperação e minimize as chances de se tornar uma candidíase de repetição.

3 – Acinzentado / amarelo acinzentado

Quando o corrimento ganha uma tonalidade acinzentada, é muito provável que uma vaginose, ou seja, uma inflamação causada por bactéria, esteja acometendo a região.

Essa infecção costuma surgir quando há alterações na flora natural da vagina, que pode ser por alterações de pH ou alterações hormonais por exemplo. As chamadas bactérias “boas” ou lactobacilos reduzem de quantidade, enquanto as “ruins” passam a se desenvolver excessivamente.

Além da coloração, a vaginose vem acompanhada de:

  • Mal cheiro;
  • Ardência;
  • Dor ao urinar e durante a relação sexual;
  • Coceira da vulva.

Nesse cenário, quando se preocupar com corrimento acinzentado? A boa notícia é que esse problema não indica que há uma inflamação grave na vagina e sim uma proliferação bacteriana.  

Desta forma, o tratamento costuma ser equilibrar a flora (como por exemplo usar medicamentos à base de vitamina C para acidificar e melhorar o pH da vagina) ou até uso de antibiótico. De qualquer forma, é necessária que haja recomendação médica.

4 – Rosado

Você sabe quando se preocupar com corrimento rosado? O tom rosado indica sangramento recente de pequena quantidade. Pode ser um sinal de trauma como após uma relação sexual sem nenhuma doença associada mas pode indicar alguma ferida na vagina ou colo do útero.

Em alguns casos pode indicar alterações hormonais que variam desde spotting, que seria sangramento fora do período menstrual, geralmente sem nenhuma gravidade ou até indicar outras disfunções hormonais.

Caso  tenha planejado uma gravidez, este pode ser o primeiro sinal. Isso porque essa tonalidade pode indicar o início de uma gestação, pois sua causa costuma estar vinculada à nidação (fixação) da gestação no útero.

Além da coloração rosada, é comum que surjam leves cólicas abdominais, que não necessitam de tratamento específico pois somem naturalmente.

5 – Marrom

O corrimento puxando para o castanho costuma estar vinculado a qualquer tipo de situação que provoque sangramento vaginal ou uterino.

As causas consideradas mais comuns são:

  • Restos de menstruação que se misturaram ao corrimento considerado normal;
  • Machucados nas regiões vaginal e uterina;
  • Infecções, inclusive às vezes pode indicar a presença de Gonorreia, principalmente se acompanhada de sangue;
  • Presença de um corpo estranho na vagina;
  • Sangramento uterino gerado pela implantação de embrião no útero;
  • Atrofia vaginal;
  • Presença de algum tumor nos órgãos ginecológicos.

Demais causas de corrimento

Há algumas causas consideradas mais raras para que haja alteração no perfil do corrimento vaginal. Assim, caso a secreção não seja a fisiológica, torne-se persistente e não esteja vinculada a nenhuma das situações citadas acima, as hipóteses podem ser:

  • Herpes genital;
  • Infecção pelo HPV;
  • Doença inflamatória pélvica;
  • Câncer do colo do útero;
  • Infecção causada por verme;
  • Presença de algum corpo estranho dentro da vagina, como camisinha ou absorvente interno;
  • Vulvovaginite.

Previna-se!

Agora que você já sabe quando se preocupar com corrimento, é hora de assumir o controle da sua saúde.

Para isso, há diversas ações que podem ser realizadas no dia a dia para prevenir tais distúrbios.

Cuide da higiene

O primeiro passo é manter sempre uma boa higiene. No caso, prefira lavar a região sempre com sabonete neutro, evitando substâncias como desodorantes íntimos, que podem fazer com que a flora vaginal fique desequilibrada.

É importante conferir os ingredientes antes de escolher um sabonete íntimo, mesmo que, na embalagem, esteja escrito que tem PH neutro. Na dúvida, pergunte para o seu ginecologista.

Além disso, sugere-se:

  1. Evitar utilizar lenços umedecidos ou papel higiênico com perfume caso tenha suspeita de alguma alergia a estes produtos;
  2. Não fazer ducha vaginal! A vagina tem uma secreção que faz parte da proteção contra infecções e manutenção de pH, por isso, no banho apenas lave o genital por fora.

Prefira roupas de algodão

Recomenda-se sempre utilizar roupas íntimas feitas de algodão, pois elas permitem uma melhor transpiração.

Além disso, é importante evitar utilizar com muita frequência roupas sintéticas, porque elas abafam a região e podem levar à proliferação de fungos, por exemplo; além de estarem mais associadas a processos alérgicos.

Nunca fique com biquíni molhado

Um dos maiores erros que as mulheres cometem durante o verão é ficar com a roupa de banho molhada por muito tempo. Isso transforma a região íntima em um foco fácil de infecções e proliferações de fungos e bactérias. Prefira realizar trocas de biquínis ou colocar roupas secas após o banho de mar ou piscina.

Por esse mesmo motivo é que não é recomendado utilizar calcinha que não esteja plenamente seca. Em caso de umidade, é preferível passar o ferro no fundilho para garantir que ao menos a parte que fica em contato com a vagina estará plenamente seco.

Troque o absorvente com frequência

Devido ao abafamento que eles causam, é importante trocar o absorvente ao longo do dia, mesmo que o fluxo menstrual seja pouco e teoricamente não houvesse essa necessidade.

Além disso, os ginecologistas costumam indicar que as mulheres não utilizem protetores diários. Apesar de muitas usarem justamente por causa do corrimento, eles podem acabar piorando a situação e deixando o caminho aberto para infecções.

Visite o ginecologista com frequência

O profissional mais qualificado para responder quando se preocupar com corrimento é o ginecologista. Por isso, é importante realizar o check-up periódico para um pleno acompanhamento da sua saúde, bem como consultá-lo sempre que notar alguma diferença na coloração, odor ou textura da secreção vaginal.

Pelo seu papel de orientação, inclusive, é importante destacar que não há uma idade certa para ir ao ginecologista. No caso, após a primeira menstruação, sugere-se que a menina tenha sua primeira consulta para entender melhor sobre sua sexualidade e, assim, tenha capacidade de prevenir o surgimento de doenças.

 

Além de todas essas dicas, é imprescindível, ainda, utilizar métodos de barreira em todas as relações íntimas. Além de prevenir uma gravidez precoce, evita que sejam contraídas diversas doenças sexualmente transmissíveis que levam ao surgimento do corrimento.

Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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