Ginecologia e Obstetrícia

Qual o melhor tratamento para a herpes genital?

Por janeiro 11, 2019 Nenhum comentário
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A herpes genital é uma doença sexualmente transmissível causada por um vírus que, uma vez dentro do organismo, não pode mais ser eliminado. Desta forma, o tratamento para herpes consiste na redução dos sintomas a cada novo ciclo.

Apesar de não promover a cura definitiva, é fundamental realizar a terapia adequada. Isso porque cada vez que o vírus é reativado, há uma queda da imunidade, podendo levar ao surgimento de outras doenças.

Além disso, no caso de gravidez, é preciso tomar cuidado ainda maior para evitar a contaminação do bebê durante o parto, o que pode causar, inclusive, danos neurológicos.

Nesse artigo, além da falarmos sobre o tratamento da herpes genital, abordaremos outras questões importantes sobre a doença, como os sintomas, suas fases e causas. Boa leitura!

O que é herpes genital e quais são os principais sintomas?

Herpes genital é o nome dado à doença que é causada pelo vírus do herpes simples (HSV). Existem duas versões desse vírus:

  • Tipo 1: Normalmente associado a infecções dos lábios, da boca e da face;
  • Tipo 2: É o vírus que costuma ser transmitido sexualmente e, portanto, afeta os órgãos genitais masculinos e femininos.

Apesar de haver dois tipos, é considerado normal acontecer uma infecção cruzada caso haja contato oral-genital. Ou seja, é possível pegar herpes genital na boca e herpes oral na área genital.

Independente da especificação, uma vez que o vírus é contraído, ele se instala nas raízes nervosas e se aproveita do material disponibilizado pelas células da pessoa para se replicar.

Além de não poder ser eliminado, ele se retroalimenta e se fortalece, ficando escondido até o momento em que, devido a situações de estresse ou de baixa na imunidade, ele se reativa e faz surgir as novas lesões.

Antes mesmo de haver a erupção cutânea, ou seja, de surgir bolhas cheias de líquido ou pequenas vesículas em forma de buquê na pele e nas mucosas dos órgãos genitais, é comum surgirem outros sinais.

Os sintomas mais comuns da herpes genital são:

  • Formigamento e coceira;
  • Inflamação nos gânglios;
  • Surgimento de manchas vermelhas;
  • Dor na região da virilha;
  • Dor no corpo e ao urinar;
  • Cansaço;
  • Alteração da sensibilidade da pele no local que surgirá a lesão.

É possível, ainda, que algumas pessoas tenham febre, perda de apetite e mal-estar geral, dependendo, principalmente, da saúde física e mental.

Quais as principais causas da doença

A principal forma de contrair herpes genital é através da relação sexual sem preservativo, devido ao contato com a pele de uma pessoa infectada.

É importante destacar que, apesar da transmissão ser mais fácil quando há uma lesão visível, ela também pode ocorrer quando as bolhas ainda não estão visíveis, pois o vírus costuma estar ativo alguns dias antes.

Desta forma, é importante evitar o contato desta região e tentar evitar relações sexuais pois muitas vezes é possível o contágio mesmo com o uso da camisinha dependendo do local da lesão.

Como funciona o tratamento para herpes genital

Pessoas imunocompetentes (que possuem um sistema imunológico capaz de responder rapidamente à presença do vírus criando seus próprios anticorpos) conseguem fazer com que as lesões regridam de forma espontânea.

Já nos demais casos, o tratamento para herpes envolve a realização de uma higiene local adequada e o uso de pomadas ou comprimidos antivirais.

Na terapia medicamentosa, a droga mais utilizada é o aciclovir, que é um anti-viral. Ele age destruindo ou impedindo que o vírus continue se replicando. Desta forma, ele somente consegue agir quando o vírus está atuando. Ou seja, quando ele se encontra recolhido no gânglio neural (fase sem sintomas), o remédio não surte nenhum efeito.

A forma em que o remédio é administrado depende muito da etapa em que a doença se encontra. Ela pode ser dividida em duas:

1. Infecção primária

A primeira crise costuma ser mais longa e agressiva, visto que o vírus é considerado um elemento estranho e, com isso, o organismo ainda não possui suas defesas, podendo ficar ainda mais vulnerável.

Nessa fase, pode ser necessário que a pessoa tome o medicamento de forma mais contínua. É o tratamento para herpes que os médicos chamam de supressão, justamente para evitar que ela se torne recorrente.

2. Crises recidivas

Após a primeira infecção, o vírus pode ficar silencioso por um tempo e ressurgir mais de uma vez ao ano. As crises recorrentes costumam ser menos graves e durar no máximo 10 dias.

A indicação é que a pessoa comece a utilizar o medicamento antes mesmo das lesões surgirem. Se o tratamento para herpes é iniciado assim que os primeiros indícios são notados, é possível evitar que as bolhas irrompam.

Em relação às pomadas, que são igualmente eficientes por tratarem a herpes de forma tópica, o ideal é que sejam utilizadas no momento em que surgirem as coceiras e a sensação de calor. Nessa etapa, ela consegue inibir a reprodução do vírus.

O erro mais comum é aplicá-las quando surgem as lesões. Isso porque, como ela perde a sua eficácia depois de 72 horas da fase de comichão e coceira, seu uso pode ter sido tarde quando as bolhas estiverem visíveis.

Qual a importância do tratamento?

Apesar de não trazer a cura definitiva, o tratamento para herpes é muito importante. Além de evitar a recorrência da doença, impede que o vírus se espalhe pelo corpo e cause complicações mais graves.

Dentre essas consequências, a mais preocupante diz respeito aos riscos de transmitir o vírus para o bebê durante o parto.

Isso ocorre porque quando o bebê passa pelo canal vaginal, ele entra em contato com as secreções contaminadas da genitália da mulher.

Por esse motivo, é muito comum que os médicos recomendem a realização do parto cesariana, que, apesar de não eliminar todas as chances, reduz bastante as possibilidades de contaminação quando a herpes genital está na fase ativa.

É importante destacar, porém, que a herpes não pode ser transmitida dentro do útero. Ou seja, não há a possibilidade de o vírus levar a uma malformação do feto.

Outro risco comum é o de o vírus se espalhar. Se a pessoa estiver com seu sistema imunológico debilitado, passando por situações de muito estresse ou mesmo não realizar o tratamento para herpes de forma adequada, as lesões podem se disseminar também para a região anal, aumentando ainda mais os desconfortos.

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A melhor maneira de evitar que o vírus cause mais prejuízos para a pessoa é realizar o tratamento para herpes adequado, que somente pode ser indicado pelo médico ginecologista ou dermatologista.

Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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