Ginecologia e Obstetrícia

O que são cistos ovarianos? Devo me preocupar?

cistos ovarianos

O que são cistos ovarianos?

Cistos ovarianos são estruturas arredondadas de conteúdo líquido. Esses cistos geralmente aparecem durante o período reprodutivo da mulher. Ou seja, são mais frequentes nas mulheres antes da menopausa.

O ovário é um órgão que pode dar origem a diversos tipos de cistos. A grande maioria são benignos, e que somem sozinhos após um período de acompanhamento. São os chamados cistos funcionais. Já os cistos não funcionais não costumam apresentar resolução espontânea, e podem precisar de tratamento cirúrgico, principalmente os cistos suspeitos.

Neste artigo eu, Dr Tomyo Arazawa, explico sobre os principais tipos de cistos que podem aparecer nos ovários. Para saber mais sobre o assunto, me acompanhe no Instagram @drtomyo !

Cistos funcionais

Os cistos funcionais são muito frequentes em pacientes que não usam anticoncepcionais hormonais. Aparecem na idade reprodutiva da mulher, ou seja, da pré-adolescência à menopausa. Eles geralmente surgem do crescimento de cistos foliculares, que são os cistos que darão origem ao óvulo no período fértil da mulher (ovulação).

Nesse caso, às vezes pode não ocorrer a ovulação, e o cisto folicular pode continuar crescendo, sem liberar o óvulo. Estes cistos podem atingir tamanhos variáveis, mas geralmente não ultrapassam 6 cm de diâmetro.

Podem causar dor na região pélvica (parte mais baixa da barriga), e dor durante a relação sexual. Dependendo do tamanho, também pode aumentar o risco de torção do ovário acometido.

Outro tipo de cisto funcional é o cisto hemorrágico. Ele também resulta de um cisto funcional que após a ovulação apresenta um sangramento para dentro do próprio cisto. Geralmente está associado a dor pélvica aguda, de início súbito, no período da ovulação.

Eventualmente pode romper, causando sangramento para dentro do abdômen (cisto hemorrágico roto). Dependendo da intensidade do sangramento, pode ser necessária uma cirurgia laparoscópica para conter o sangramento. Mas na maioria dos casos o sangramento pára de forma espontânea.

Apesar de mais frequentes, os cistos funcionais raramente necessitam de tratamento específico. O uso de anticoncepcional hormonal, como a pílula, evita a formação de novos cistos funcionais. Mas não acelera o processo de resolução dos cistos já formados.

De modo geral, esperamos que os cistos funcionais devem tenham resolução espontânea dentro de até 3 meses de acompanhamento.

Outros cistos ovarianos

Nos casos em que os cistos no ovário não regridem de forma espontânea, ou que já na avaliação inicial apresente características suspeitas, outras medidas devem ser tomadas para melhor avaliação.

Os exames de imagem que melhor avaliam cistos ovarianos são a Ultrassonografia Pélvica por via transvaginal e a Ressonância Magnética de Pelve. A conduta frente ao cisto no ovário varia conforme a idade da paciente, desejo de gravidez ou infertilidade, tamanho do cisto, sintomas associados, achados dos exames de imagem e exames de sangue. Mas principalmente frente a maior ou menor suspeita de se tratar de um cisto maligno (câncer de ovário).

Essa avaliação deve ser individualizada, e levar em conta todos os dados clínicos e laboratoriais da paciente. O exame de imagem mais utilizado para avaliação de cistos de ovário é a Ultrassonografia Pélvica, preferencialmente por via transvaginal. Conforme as características do cisto na ultrassonografia, o cisto pode ser classificado como simples ou complexo.

Cistos simples estão mais associados a benignidade, ao passo que cistos complexos podem estar mais associados a cistos malignos. Apesar disso, a maioria dos cistos complexos são benignos após a sua retirada cirúrgica. Essa diferenciação somente é possível com a análise do cisto após a cirurgia.

Cistos simples

Cistos simples de ovário são aqueles que têm características de benignidade aos exames de imagem. Têm portanto baixa chance de se tratar de um câncer de ovário.

De modo geral são cistos únicos (estão sozinhos), de paredes finas, contornos regulares, conteúdo homogêneo, sem vegetações ou septações no seu interior. A grande maioria dos cistos simples são cistos funcionais, que somem espontaneamente. Outras informações como idade da paciente, sintomas e desejo de gravidez são importantes para a decisão do médico sobre a necessidade de tratamento específico, ou somente acompanhamento.

Cistos complexos

Cistos complexos são todos os outros cistos que fogem das características de cisto simples. Ou seja, são cistos com conteúdo heterogêneo ou vegetação interna, septações, paredes espessas, vascularização atípica, contornos irregulares, entre outras características.

Muitos cistos complexos podem ser cistos funcionais, como cistos hemorrágicos. Porém a maioria dos cistos complexos precisam de investigação mais apurada para excluir a possibilidade de se tratar de um câncer de ovário.

É importante ressaltar que a exclusão da possibilidade de câncer de ovário só se dá com a cirurgia, após a remoção do cisto ou do ovário e da análise pelo médico patologista. Não é recomendado a realização de punções ou biópsias de cistos, pois caso se trate de um câncer, esses procedimentos podem acelerar o processo de metástase.

Quais os principais riscos dos cistos de ovário?

Os principais riscos dos cistos ovarianos, e que portanto são o principal motivo de preocupação, são:

  • Malignidade (risco de câncer): o câncer de ovário é um dos tipos mais agressivos de câncer. Geralmente o diagnóstico acontece em casos já avançados. Assim como outros tipos de câncer, quanto mais precoce o diagnóstico e tratamento, melhor a sobrevida das pacientes.
  • Torção de ovário: a torção de ovário é um quadro de urgência, que frequentemente requer tratamento cirúrgico. A torção interrompe de forma parcial ou completa a irrigação sanguínea do ovário, e se não for tratado de forma rápida e eficaz corre-se o risco de necrose do ovário torcido, com necessidade da sua retirada cirúrgica.
  • Dor pélvica: a dor pélvica pode decorrer do crescimento, da rotura, torção ou do tipo de cisto. Cistos de endometriose costumam causar muita dor, mas raramente torcem ou rompem.
  • Infertilidade: os cistos de ovário geralmente interferem na capacidade de ovulação do ovário comprometido. Além disso, dependendo do tamanho e do tipo de cisto pode consumir a reserva de óvulos que a paciente tem naquele ovário. Os cistos de endometriose são os mais associados a infertilidade.
  • Rotura do cisto: apesar de ser evento raro, o cisto pode eventualmente romper de forma espontânea ou durante atividade física ou sexual. Geralmente é acompanhada de fortes dores abdominais, de início súbito, que coincide com o momento da rotura.

Caso seja detectado cistos ovarianos, a paciente deve ser avaliada pelo seu médico ginecologista. Com base na avaliação clínica e dos exames complementares, o médico e a paciente decidem sobre o melhor tratamento para cada caso.

Quais os principais tipos de cistos ovarianos?

Os cistos ovarianos não funcionais, ou seja, que geralmente exigem algum tipo de tratamento, são os seguintes:

  • Endometrioma ovariano: são cistos de endometriose, doença que é a principal causa de dor pélvica e infertilidade na mulher. O endometrioma ovariano tem um conteúdo mais denso, de aspecto “achocolatado”, do sangue que fica acumulado no seu interior. A atenção a esse tipo de cisto é que ele SEMPRE vem acompanhado de outras lesões de endometriose profunda. Além disso, pode causar a diminuição da reserva de óvulos do ovário afetado. Por tudo isso, o ideal é que pacientes com endometriomas sejam avaliadas e tratadas por ginecologistas especialistas no tratamento da endometriose.
  • Teratoma ovariano: teratomas ovarianos (cistos dermóides) são cistos benignos que contêm diversos tipos de tecidos no seu interior. Gordura, cabelo e dente sã os principais tipos de tecido. Mas outros também são descritos, como tecido cerebral, pele, entre outros. Por serem cistos mais pesados, aumentam o risco de torção do ovário, especialmente se estiver no ovário direito. Esse tipo de cisto não é reabsorvido pelo corpo, e portanto exige tratamento cirúrgico por laparoscopia. Na maioria das vezes é possível retirar o cisto sem a necessidade de retirar todo o ovário.
  • Cisto-adenomas: cisto adenomas são cistos benignos, que podem ser serosos ou mucinosos, dependendo do conteúdo. Podem crescer muito comparado a outros cistos. São potencialmente os maiores cistos abdominais que uma mulher pode ter. São cistos não-funcionais, e portanto não somem espontaneamente. Por isso geralmente precisam de cirurgia laparoscópica para a sua retirada.

Quais os principais tratamentos?

O tratamento do cisto ovariano depende principalmente das características e dos sintomas associados.

Cistos funcionais costumam ser acompanhados pelo período de alguns meses, pois costumam apresentar resolução espontânea. O uso de anticoncepcionais é efetivo para evitar a formação de novos cistos funcionais.

Cistos simples também podem ser acompanhados quando não apresentam nenhum outro achado que possa indicar risco de malignidade ou de comprometimento da fertilidade da paciente. Contudo, pode ser necessário uma laparoscopia para retirada do cisto em casos selecionados, principalmente se houver crescimento do mesmo.

Cistos complexos são sempre mais suspeitos. Como já foi dito anteriormente, só é possível distinguir um cisto benigno de um câncer após a cirurgia. Portanto, frente a um cisto complexo geralmente a conduta de escolha é a cirúrgica, preferencialmente pela via laparoscópica.

A avaliação dos cistos ovarianos deve ser feita pelo seu médico ginecologista, e a melhor conduta frente ao caso decidida em conjunto com base não só pelas características do cisto, mas também pelo quadro clínico e achados de outros exames complementares.

Esse texto tem objetivo meramente informativo. Procure seu médico ginecologista para maiores informações caso apresente cistos ovarianos.   Dr Tomyo Arazawa CRM 120.351

Publicado em 23/06/2015. Atualizado em 15/06/2019.

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Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Hoje minha dedicação está voltada a atenção, assistência e estudos a pacientes com dor pélvica e especialmente endometriose.

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