Ginecologia e Obstetrícia

O que é ovário policístico? Quais são as causas e sintomas?

Por fevereiro 21, 2018 Nenhum comentário
ovário policístico

A síndrome do ovário policístico (SOP) é um distúrbio hormonal que provoca alterações no processo de ovulação, levando ao surgimento de cistos nos ovários e, consequentemente, fazendo com que esses órgãos aumentem de tamanho.

Apesar de o aparecimento de cistos ser normal durante a ovulação, eles costumam desaparecer ao final de cada ciclo. Em portadoras da SOP, muitas vezes não é formado o cisto de ovulação e acabam se formando vários pequenos cistos que acabam não sendo diluídos, e isso causa uma modificação na estrutura ovariana. Há casos, inclusive, em que o órgão atinge proporções até três vezes maiores do que a usual.

O ovário policístico afeta cerca de 20% das mulheres em idade fértil, sendo, portanto, uma doença bastante comum (e dependendo do caso, de fácil tratamento).

Causas do ovário policístico

Ainda não existe uma comprovação efetiva de quais sejam os fatores que levam ao desenvolvimento da síndrome do ovário policístico. Porém, há algumas hipóteses.

A primeira e mais concreta diz respeito à genética. Sabe-se que irmãs e filhas de uma portadora do distúrbio possuem 50% de chances de tê-lo também.

Além disso, estudos já associam a condição à chamada resistência periférica à insulina que leva a produção em excesso de insulina no organismo. Assim, a elevação dos níveis dessa substância na corrente sanguínea provocaria o desequilíbrio hormonal. Esta condição é observada em graus variados em até 70% das mulheres com obesidade ou sobrepeso e SOP.

Outras possíveis causas ainda em estudo são inflamações locais e malformações dos vasos ovarianos.

Principais sintomas

Mulheres com ovário policístico costumam ovular com menos frequência. Por isso, contam com um ciclo menstrual irregular e, consequentemente, podem encontrar dificuldade para engravidar.

A síndrome também pode gerar uma alta produção do hormônio masculino, e como vimos, também pode estar associada ao aumento da produção de insulina, ocasionando alterações como:

-aumento na oleosidade da pele;
-acne;
-crescimento anormal de pelos em regiões não usuais para a mulher como barriga, mamas, costas, nádegas e face;
-queda de cabelo;
-manchas cutâneas, principalmente nas axilas e atrás do pescoço;
-ganho de peso.

Em casos mais graves ou se não houver o tratamento adequado, a SOP pode levar ao desenvolvimento de aumento de colesterol, pressão alta, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e infertilidade.

Como diagnosticar o ovário policístico?

Em algumas situações, o médico consegue realizar o diagnóstico da SOP através do histórico da paciente e do exame físico.

Porém, a SOP é um diagnóstico de exclusão, e para que haja a comprovação da ocorrência do ovário policístico, é recomendado excluir outras causas dos sintomas com os seguintes testes:

Ultrassonografia da pelve: neste caso, o ginecologista observa se os ovários estão com volume maior do que o normal e se há mais de 12 cistos em um ovário, ao mesmo tempo. Em mulheres que tomem anticoncepcional, estes cistos no ovário podem não ser observados.

Exame laboratorial: geralmente, são solicitadas análises de hormônios masculinos e seus precursores, exames para excluir outros diagnósticos (como hiperplasia adrenal congênita ou síndrome de cushing) e insulina associada à glicemia Além disso é importante avaliar se há alguma consequência metabólica como o aumento de colesterol e testes para avaliar se a paciente tem o ciclo menstrual normal caso haja dúvidas pela história.

É importante destacar que estes testes, se realizados de forma isolada, não fornecem um diagnóstico definitivo, já que os sintomas podem ter relação com outras doenças. Portanto, para excluir outras possibilidades, é fundamental que a investigação seja completa e minuciosa.

Quais os tratamentos mais indicados

O ovário policístico pode ser tratado conforme a seguir, sendo a indicação conforme os incômodos que a paciente apresenta.

As principais alternativas são:

Mudanças de hábitos de vida: mudar hábitos do dia a dia não é tarefa fácil mas muitas vezes é um dos métodos mais eficaz e saudável tanto na prevenção e tratamento da SOP como para outras doenças. Dieta balanceada e exercícios físicos regulares podem ser milagrosos!

Anticoncepcionais: auxiliam a melhorar o aumento de pelos, a oleosidade na pele, a irregularidade menstrual e as cólicas. Além disso, reduz o volume dos ovários e o aparecimento de cistos a cada novo ciclo. Mulheres que possuam o desejo de engravidar podem tomar anticoncepcional em um primeiro momento e, depois, suspender a ingestão (ou, então, optar por outra terapia).

Antidiabetogênicos orais: este remédio para diabetes pode ser utilizado quando o ovário policístico estiver associado ao excesso de insulina no corpo.

Indução da ovulação: esta opção costuma ser indicada para mulheres que queiram ter filhos, porque aumenta a fertilidade.

Medicações anti-androgênicas: para diminuir os efeitos de aumento de pelos, oleosidade da pele e acne.

Tratamentos estéticos específicos: pode ser realizado sempre que necessário, como nos casos de acne, mas principalmente nos casos de aumento de pelos já que as medicações não tratam os pelos já existentes e sim diminui a chance do crescimento de pelos novos.

Tratamento de consequências metabólicas: como o tratamento do aumento de colesterol e diabetes tipo 2 por exemplo.

Pode-se ainda optar por associar estas medicações quando for indicado.

Previna-se!

Para prevenir o surgimento do ovário policístico, como dito anteriormente, sugere-se seguir uma dieta mais leve e saudável aliada à prática de exercícios físicos. Isso porque pacientes acima do peso fazem parte do grupo de risco da doença.

Junto a isto, é imprescindível contar com o acompanhamento de um ginecologista e estar com os exames de rotina sempre em dia. Assim, é possível evitar as potenciais causas do ovário policístico e tomar as devidas providências logo que ele for diagnosticado.

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Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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