Ginecologia e Obstetrícia

Febre amarela e gravidez: o que você precisa saber

febre amarela e gravidez

São diversos os cuidados que devem ser tomados ao longo da gestação para que a saúde da mãe e do bebê sejam resguardadas. Muito se fala sobre a alimentação, a prática de exercícios e até a viabilidade ou não de a grávida pintar o cabelo. Porém, pouco se explica, ainda, sobre o calendário de vacinação.

Dessa forma, muitas mulheres ficam desprotegidas contra doenças consideradas muito perigosas, como é o caso da febre amarela.

Recentemente, a condição voltou a ganhar destaque devido à comprovação da morte de macacos infectados. Em meio a tantas informações divulgadas, surgiram muitas dúvidas sobre os sintomas, sua gravidade e a vacina.

Na relação entre febre amarela e gravidez, especificamente, há uma grande contradição. Ao mesmo tempo em que tanto a mulher quanto o bebê correm sérios riscos se a infecção acontecer, a imunização é contraindicada nesse período. Assim, torna-se necessário um maior planejamento para engravidar ou, então, redobrar os cuidados contra o mosquito transmissor.

Confira, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre febre amarela e gravidez, e mantenha-se saudável e protegida!

Os riscos da febre amarela na gravidez

A febre amarela é considerada uma doença de gravidade variável, sendo que a taxa de mortalidade é significativa. O tempo de incubação do vírus é de três a seis dias, e os principais sintomas apresentados são:

  • febre alta e calafrios;
  • sangramentos;
  • mialgia (dor muscular);
  • vômitos;
  • cefaleia (dor de cabeça);
  • fraqueza e abatimento.

Como os indícios se assemelham aos de outras condições, muitas vezes, o diagnóstico pode ser tardio.

Todos os sintomas e, claro, a possibilidade de óbito preocupam ainda mais quando se pensa em febre amarela e gravidez.

A mulher, apesar das diversas alterações hormonais pelas quais passa nesse período, precisa estar fortalecida para que a nutrição e o desenvolvimento do bebê ocorram corretamente. Desta forma, em situações de infecção por febre amarela, a gestação pode ser comprometida.

Além disso, pode haver restrições no uso de medicamentos, o que torna fundamental o acompanhamento do médico ginecologista e obstetra (inclusive, uma internação pode ser necessária para controle da doença e, também, da gravidez).

Grávidas podem se vacinar contra febre amarela?

A vacina da febre amarela é constituída a partir de um vírus vivo, ou seja, ele é inserido no organismo para que o corpo gere anticorpos, criando uma barreira para a infecção.

Após a imunização, é normal surgirem algumas reações, como náuseas, febre, dor muscular e na cabeça. Em casos mais extremos e raros, pode haver problemas mais sérios, como falência múltipla dos órgãos.

Apesar de as gestantes não estarem no grupo de maior risco, a vacina é contraindicada por não se saber ao certo quais as consequências que ela pode trazer tanto para a saúde da mãe, que passa por um momento de muitas transformações, quanto para a do feto.

Por isso, a imunização contra febre amarela só deve ser realizada em situação de gravidez da seguinte maneira:

  • 30 dias antes: quem planeja ter um filho deve tomar a vacina 30 dias antes de iniciar as tentativas. Com esse intervalo, os principais sintomas que a imunização pode acarretar já terão desaparecido e o organismo já estará fortalecido novamente;
  • durante a gravidez: neste período, ela é contraindicada, como já dissemos, mas pode ser aplicada em casos específicos, como quando a mulher morar em área endêmica e sua exposição ao mosquito for inevitável;
  • após a gravidez: o ideal é que a mãe somente receba a vacina depois dos primeiros seis meses de amamentação, pois a criança pode ser infectada com o vírus através da lactação. Se a imunização for imprescindível, deve haver uma pausa de dez dias no aleitamento, que pode ser retomado após esse tempo.

Vale destacar que não existe correlação direta entre a vacina da febre amarela e o risco de malformação do bebê. Sendo assim, o alerta de contraindicação é uma medida preventiva, principalmente pelas reações que ela pode causar à gestante.

Como prevenir a febre amarela na gravidez

Como existem muitas incertezas quanto à imunização contra febre amarela na gravidez, a saída é adotar alguns cuidados para ficar o mais longe possível do mosquito transmissor. São eles:

  • evitar viajar para regiões consideradas endêmicas;
  • usar repelentes e roupas que cubram ao máximo a pele;
  • adicionar telas de proteção nas janelas e portas de casa;
  • não transitar em área de mata onde houver a presença de animais silvestres, como macacos;
  • tomar as mesmas medidas que se toma em relação à dengue, como evitar água parada, por exemplo.

A febre amarela na gravidez é perigosa. Previna-se!

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Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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