Ginecologia e Obstetrícia

Manual de cuidados na primeira gravidez

Por fevereiro 20, 2018 Nenhum comentário
primeira gravidez

A primeira gestação sempre causa dúvidas às mamães, principalmente porque se trata de um mundo totalmente novo e bastante delicado. Gerar um ser é um processo que demanda muita atenção. Por isso, é indispensável ter certos cuidados na primeira gravidez.

Para te auxiliar, criamos um guia com tópicos que abordam temas como alimentação, consultas, exames, vacinas, hábitos e sintomas anormais. Confira!

Alimentação

Nos primeiros meses muitas gestantes têm dificuldade de se alimentar pelas náuseas e vômitos. O ideal é manter uma dieta saudável com maior número de refeições ao longo do dia, mas de pequenas porções. Não é recomendado ficar mais de 3 horas sem se alimentar, inclusive o jejum é um dos principais indutores das náuseas nesta fase. Sendo assim, tente manter a seguinte sugestão de refeições: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, janta, lanche da noite.  

Nestes primeiros meses não se recomenda aumentar a ingesta calórica e sim dividi-la nestas refeições ao longo do dia. O auxílio de um nutricionista pode ser bastante interessante!

Seguem algumas orientações mais específicas:

Chás que as gestantes devem evitar

Podemos assumir que qualquer produto natural pode ser ingerido por mulheres durante a gravidez, não é mesmo? Pois não é bem assim. Existem alguns alimentos, principalmente chás, que devem ser evitados para garantir a saúde do bebê.

O que vale, na maioria dos casos, é a frequência e a quantidade de consumo. Os alimentos que as futuras mamães devem diminuir o consumo principalmente nos primeiros meses são aqueles que potencialmente podem aumentar metabolismo e elevar a temperatura corporal basal: canela, gengibre, café ou derivados de cafeína entre outros. A canela, por exemplo, apesar de mantida fora do cardápio, pode ser consumida com  uma banana amassada. O segredo é ter bom senso, sem exageros.

O chá de canela, em contrapartida, deve ser evitado.   

Outros chás a serem evitados são o preto, o verde, o mate, o banchá e o branco, por sua alta concentração de cafeína que pode gerar mal-estar e palpitações cardíacas.

Os únicos liberados são o de camomila, erva-cidreira, capim-limão e erva-doce, pois provocam uma sensação de relaxamento tanto na mãe quanto no bebê.

Aumente a imunidade através dos alimentos

Como veremos mais adiante, a imunidade da mulher durante esses meses fica bastante comprometida. Por isso, é importante recorrer à alimentação para fortalecê-la. Veja alguns exemplos:

  • fontes de vitamina C: limão, laranja, kiwi e acerola aumentam a produção de células de defesa dentro do organismo, o que previne gripes, resfriados e infecções.
  • Cebola: rica em quercetina, a cebola melhora a imunidade da gestante e a protege de doenças virais e alérgicas.
  • Batata yacon: auxilia na manutenção das defesas, previne diabetes tipo 2 e beneficia o funcionamento do intestino.
  • Vegetais verde-escuros: agrião, almeirão, couve, brócolis e espinafre, além de serem ricos em ácido fólico, possuem vitamina A, B6 e B21, que ajudam na conservação das células imunológicas.
  • Iogurte natural: auxilia a recompor as bactérias benignas da flora intestinal, chamadas de probióticos. Assim, o intestino se mantém saudável e capaz de absorver os principais nutrientes dos alimentos ingeridos.
  • Cogumelo shitake: contém lentinana, uma substância que ajuda na produção de células de defesa do organismo e aumenta a imunidade.
  • Castanha-do-Pará: tem grande capacidade antioxidante pela presença de selênio, e é capaz de neutralizar os radicais livres.

Alimentos crus

Para as futuras mamães que nunca tiveram toxoplasmose na vida (possível avaliar pelo exame de sangue no pré natal) o cuidado com alimentos crus deve ser redobrado! Deve-se evitar carne crua ou mal passada e lavar bem alimentos como frutas e verduras.

Quanto ao peixe cru, como na tradicional culinária japonesa, não há transmissão da toxoplasmose, mas se for de procedência duvidosa pode facilmente estar contaminado com bactérias como Salmonela por exemplo.

A dica é: se quiser comer sashimi na gestação que seja bem fresco e de procedência confiável. Além disso, não se recomenda exageros no consumo de peixes para diminuir a chance de acúmulo de metais pesados. Frutos do mar em geral também não são recomendados na gestação.

Bem-estar e cuidados na primeira gravidez

Cansaço

É muito comum o cansaço excessivo principalmente no início da gestação. A boa notícia é que quando acontece isso a gestação está indo bem!

Existem 2 principais motivos:

  • O aumento do hormônio chamado progesterona pode aumentar muito o sono, cansaço e a dificuldade de concentração. Ele é um hormônio fundamental para manter a gestação saudável dentro do útero. A dica para combater este incômodo é dormir 1 hora mais cedo ou, se for possível, dormir 1 hora ao longo do dia.
  • Na gestação aumenta a quantidade de sangue que o coração precisa bombear, ou seja, aumenta o trabalho cardíaco. Isso pode aumentar o cansaço em atividades simples do dia a dia, como subir e descer escadas ou caminhadas mais longas. A dica é: respeite seu corpo, não faça atividades físicas que a deixem muito ofegante pois isso aumenta ainda mais o trabalho do coração.

Retenção de líquido

As grávidas são mais propensas a reter líquido, principalmente nas épocas mais quentes do ano. Isso acontece como um mecanismo de defesa para que o corpo mantenha uma temperatura estável. Além disso, os hormônios também contribuem para o inchaço em gestantes.

Da metade da gravidez até o final, o crescimento do útero comprime os vasos, dificultando o retorno do sangue das pernas para o coração. Esse é mais um dos motivos para os pés de mamães de primeira viagem incharem tanto.

Veja os cuidados na primeira gravidez para evitar ao máximo esse desconforto:

  • beba bastante água durante o dia (sempre que lembrar). Quanto melhor os rins funcionarem, menor será o edema;
  • reduza o consumo de alimentos industrializados, ricos em sódio, gorduras e conservantes;
  • prefira não ficar sentada ou em pé por muito tempo. Se você trabalha sentada, procure levantar-se a cada uma hora e fazer uma pequena caminhada;
  • durma de lado (de preferência do lado esquerdo que facilita o retorno do sangue das pernas para o coração) e coloque um travesseiro entre as pernas;
  • eleve os pés sempre que possível;
  • use meia elástica de média compressão, de acordo com a orientação de seu médico;
  • não utilize sapatos de salto alto, pois, além de agravarem os inchaços, contribuem para dores na coluna, além do perigo do desequilíbrio com o aumento da barriga;
  • realize exercícios físicos leves (como caminhadas).

Prepare-se para sentir câimbras

A câimbra é um problema que ocorre na contração da fibra muscular. Geralmente, acontece devido à prática de atividades físicas muito intensas ou à ausência de sais minerais no organismo.

Nas grávidas, a causa maior é a adaptação do corpo às mudanças, além do fato de que os alimentos, agora, passam a ser divididos entre a mãe e o bebê. O aumento de peso também influencia o quadro.

Uma dica para prevenir as câimbras é rechear a dieta de produtos ricos em cálcio (leite e ovo), em potássio (banana e laranja), e de frutas e verduras escuras em geral. Além disso, não permaneça sentada ou em pé por muito tempo.

O segundo trimestre da gestação é a época mais comum de acontecerem as câimbras, e uma boa forma de aliviá-las seria com alongamentos, compressas mornas e massagem.

Depressão

A depressão atinge entre 10% e 12% das gestantes, e o tratamento é fundamental para garantir o bem-estar e a saúde da mãe e do bebê.

Embora alguns medicamentos não deixem os médicos totalmente tranquilos, existem alternativas que não causam problemas para a gravidez. No final, a mulher deve continuar recebendo atenção de especialistas, já que a condição pode se transformar em uma depressão pós-parto.

Saúde

Mantenha sua carteira de vacinação em dia

Com tanta coisa em que pensar, algumas gestantes acabam esquecendo de colocar as vacinas em dia. Porém, é importante tomá-las para prevenir complicações sérias para a mãe e a criança.

As três imunizações mais recomendadas para grávidas são:

  1. Tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche)

Além de proteger contra a coqueluche, essa vacina previne doenças como o tétano neonatal, infecção que pode acontecer pelo uso de objetos contaminados para cortar o cordão umbilical. Ela deve ser tomada a partir das 20 semanas de gestação mesmo se a grávida já tiver tomado recentemente pois a vacina na gestação é uma forma de também imunizar o bebê.

  1. Influenza (gripe)

Protege a mulher do vírus da gripe normal e de alguns quadros mais graves, como pneumonia(que podem levar à morte, devido à queda na imunidade). A dose pode ser prescrita em qualquer mês da gestação ou em até 45 dias depois do nascimento da criança.

  1. Hepatite B

A gravidez é uma via de transmissão comum de hepatite B. Para evitar que a mãe contamine o feto ou o recém-nascido, é importante que a vacina seja tomada de forma correta, em três doses a partir do segundo trimestre de gestação para as mamães que ainda não foram imunizadas.

Fique atenta às infecções

Durante a gravidez, os hormônios femininos progesterona e estrogênio têm seus níveis elevados. Isso impede o organismo de manter uma imunidade ativa demais.

Com as defesas mais fracas, as gestantes tornam-se mais sujeitas a infecções. Por isso esteja sempre em dia com seus exames e consultas de pré natal e se tiver algum sintoma como corrimentos ou dor para urinar por exemplo comunique seu médico pois infecções na gestação podem aumentar a chance de ocorrer parto prematuro.

Faça suplementação de ácido fólico

Nas consultas do pré-natal, o obstetra receita uma suplementação de ácido fólico. Isso porque, dentro dos cuidados na primeira gravidez, está a ingestão dessa vitamina, também conhecida como B9.

Nas quatro semanas iniciais de gestação, o sistema nervoso primitivo do bebê está em desenvolvimento, formando o cérebro e a medula espinhal. Logo em seguida, o tubo neural se fecha com a presença do ácido fólico.

Quando isso não acontece, o processo não é completado e pode haver sequelas graves, como anencefalia e a impossibilidade de andar. Já para a mãe, a vitamina previne doenças cardíacas, anemia e alguns tipos de câncer.

A dose diária recomendada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para todas as mulheres é de 400 mg. Essa quantidade só é maior em casos específicos.

Somente a alimentação não é suficiente para suprir as necessidades de ácido fólico, já que o cozimento diminui o teor da vitamina.

Quando a gravidez for planejada, esta vitamina deve ser ingerida desde três meses antes da fecundação, pelo menos, de acordo com a prescrição médica, já que cada organismo atua de forma diferente.

Lembre-se da vitamina D

Existem tantos nutrientes importantes para uma gestante que, às vezes, alguns acabam ficando para trás. Um exemplo é a vitamina D, fundamental para a prevenção de vários problemas.

Embora seja chamado assim, trata-se, na verdade, de um hormônio que age no sistema imunológico, ósseo, cardiovascular e muscular, essencial para diminuir os riscos de diabetes tipo 1. É uma vitamina que é convertida pela exposição ao Sol, mas quando está deficiente na gestação a melhor alternativa é a reposição com comprimidos conforme a prescrição de seu médico.

Agora que você já conhece os principais cuidados na primeira gravidez, não deixe de consultar seu obstetra para iniciar o pré-natal e tirar todas as dúvidas. Nesse momento, mais do que nunca, é preciso evitar o uso de medicamentos sem orientação médica.

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Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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