Ginecologia e Obstetrícia

Endometriose: 10 dúvidas que as mulheres mais levam ao consultório médico

Por fevereiro 18, 2016 Nenhum comentário
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A endometriose é uma doença que atinge muitas mulheres hoje em dia (acredita-se que de 10 a 15% da população têm o diagnóstico) e que gera muitas dúvidas.

Entre os principais sintomas, é possível destacar cólica menstrual em graus variados; dificuldade para engravidar, presente em 30% a 40% das mulheres com endometriose; alterações intestinais durante o período menstrual, como dor ou sangramento na evacuação; desconforto ou dor durante a relação sexual no fundo da vagina; inchaço abdominal; dor para urinar ou sangramento na urina na época da menstruação e dores contínuas na pelve independente do período menstrual.

O crescente número de diagnóstico faz com que as mulheres se interessem mais sobre o tema. Entre as principais dúvidas que elas levam ao consultório, é possível destacar:

1) A endometriose é difícil de ser diagnosticada?

A endometriose cabe dentro de diferentes diagnósticos dos pacientes que têm dor (na pelve, na relação sexual e em cólicas menstruais, por exemplo), por isso é um dos diagnósticos mais difíceis de se fazer. E os motivos para isso são vários: pode ser confundida com outras condições que podem causar dor pélvica, como a síndrome do cólon irritável, doença inflamatória pélvica ou cistos ovarianos.

Caso o médico não esteja atento aos sintomas e aos relatos, as pacientes podem demorar anos para serem diagnosticadas corretamente. Outro complicador é que alguns exames como ultrassom e ressonância podem ajudar a levantar a hipótese da doença, porém muitas vezes a endometriose pode passar despercebida mesmo por esses exames.

Nesses casos, a certeza só é obtida com a vídeo-laparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva que serve, ao mesmo tempo, para diagnosticar e tratar.

2) Mulheres com endometriose têm muita dor?

A dor é um dos maiores sintomas da doença. Geralmente, as pacientes têm muita cólica menstrual, dor na relação sexual de profundidade, dor intestinal no período menstrual, dor para urinar no período menstrual e dor pélvica crônica.

Em casos mais severos, a dor impacta na qualidade de vida da mulher causando o isolamento social e a diminuição da vontade de ter relações sexuais, por exemplo. Outras mulheres, por outro lado, podem não sentir dor nenhuma mesmo sendo portadoras dessa doença.

3) A endometriose aumenta o risco de câncer?

Estudos mais recentes têm mostrado uma pequena correlação entre o antecedente de endometriose e alguns tipos de câncer, principalmente o câncer de ovário. Essa correlação, porém, ainda não está bem estabelecida pelos estudos disponíveis atualmente.

O aumento do marcador tumoral CA125 costuma assustar muitas pacientes com endometriose. Esse marcador costuma se alterar em casos de câncer de ovário e em outros tipos de câncer, mas também está alterado em muitas doenças benignas, como na adenomiose e na própria endometriose. Nessas situações, outros exames de imagem auxiliam a diferenciação, mas só é possível ter certeza do diagnóstico com a cirurgia.

4) A endometriose pode ser hereditária?

De acordo com informações da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva estudos com mulheres gêmeas demonstraram que dentre os fatores de risco para endometriose o caráter hereditário está presente em 51% dos casos. Vários genes podem estar alterados em mulheres com endometriose, por isso, a doença é considerada poligênica, um tipo de herança genética. Casos de endometriose na família é fator de alerta para as mulheres.

5) Mulheres com endometriose podem engravidar?

Na maioria dos casos, as mulheres conseguem engravidar sim. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível realizar o sonho da maternidade, mesmo após a doença detectada. Porém, com a doença, a dificuldade de engravidar aumenta.

A endometriose é a maior causa de infertilidade feminina. Mais de seis milhões de brasileiras na faixa etária de 20 a 40 anos apresentam o diagnóstico, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE). Dessas, cerca de 30% a 40% terão dificuldades para engravidar. Mas, não há motivos para desânimo, o Brasil é referência internacional no diagnóstico e tratamento de pacientes com endometriose.

6) Depressão faz parte dos sintomas da endometriose?

A depressão não é considerada uma das causas da endometriose, mas certamente pode ser uma consequência das dores e sofrimento que as pacientes vivenciam. Por isso, alguns estudos indicam que mulheres com a doença são mais propensas a desenvolver a depressão (cerca de 40% a 50% das pacientes podem ter depressão ou algum outro distúrbio psicológico ou psiquiátrico).

Por outro lado, é possível que pacientes com depressão possam ter alterações imunológicas por alteração do hábito alimentar e má qualidade do sono, o que por sua vez poderia favorecer o desenvolvimento da endometriose. Esta associação porém precisa ser melhor estudada.

Uma coisa que sabemos é que a depressão costuma aumentar a sensação de dor que essas pacientes vivenciam, provocando aumento da intensidade da dor, sem necessariamente ter piora da endometriose.

7) A endometriose tem cura?

A endometriose é uma doença crônica que até o momento não tem cura definitiva. Dentre os tratamentos disponíveis atualmente, a cirurgia é a que tem a maior perspectiva de melhora próxima à cura. Ainda sim, há chances de recidiva ao longo dos anos. Após a menopausa, com a queda dos hormônios femininos, as lesões de endometriose regridem e com isso os sintomas tendem a melhorar.

8) O único tratamento é o cirúrgico?

Tudo vai depender de cada caso. Em alguns, o acompanhamento com pílulas anticoncepcionais pode melhorar a sensibilidade de diversos sintomas. Contudo, os tratamentos medicamentosos não têm a função de fazer as lesões desaparecer, e sim de controlar os sintomas de dor e de bloquear os hormônios que estimulam o crescimento da endometriose. O tratamento cirúrgico ainda é o único disponível para retirar as lesões.

9) Em casos de cirurgia, quanto tempo preciso para voltar à rotina normal?

O tempo de recuperação de modo geral é rápido, mas isso depende da extensão da doença e da complexidade da cirurgia. Em menos de duas semanas a paciente já costuma retornar as suas atividades e voltar a trabalhar. Porém, nos casos em que é necessário retirar parte do intestino, parte da bexiga ou de outro órgão acometido por endometriose, esse tempo pode aumentar.

A melhora da dor e cólicas menstruais, geralmente, não é tão de imediato. Como é uma doença crônica, geralmente a melhora da dor é a médio prazo: de 3 a 6 meses para ter uma melhora significativa.

10) Vou ter que fazer o acompanhamento para o resto da vida?

Como a doença é remissível, isto é, com a chegada da menopausa os hormônios diminuem e os sintomas da endometriose tendem a retroceder. Não é necessário o acompanhamento pelo resto da vida por causa da endometriose, entretanto, o acompanhamento rotineiro ao ginecologista é essencial para a manutenção da qualidade de vida e saúde das mulheres.

O importante é sempre procurar um médico caso apresente qualquer sintoma diferente da sua rotina ou que provoque dor. O especialista é o mais indicado para elucidar suas dúvidas e prestar orientações sobre diagnósticos e tratamentos.

*Dr. Tomyo Arazawa é ginecologista e obstetra, e especializou-se em cirurgias minimamente invasivas como cirurgias robóticas, video-laparoscópicas e video-histeroscópicas (os quais incluem as cirurgias de endometriose), e em medicina reprodutiva. É membro da Sociedade Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP), da American Society for Reproductive Medicine (ASRM), da American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL) e da International Pelvic Pain Society (IPPS).

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Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Hoje minha dedicação está voltada a atenção, assistência e estudos a pacientes com dor pélvica e especialmente endometriose.

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