Ginecologia e Obstetrícia

Tudo o que você quer saber sobre métodos anticoncepcionais

anticoncepcionais

Logo após a primeira menstruação, é normal que as adolescentes visitem um ginecologista para que ele dê algumas orientações sobre as mudanças que acontecerão a partir daquele momento. A possibilidade de gestação a partir deste momento existe, e por isso é importante a orientação sobre os métodos para evitar uma gravidez precoce.

As alternativas atuais possuem um percentual bem alto de eficácia se utilizadas corretamente. Portanto, a escolha, muitas vezes, pode ser feita visando outro benefício que ela ofereça. Há opções de contraceptivos, por exemplo, que auxiliam na redução da acne, enquanto outras podem ser aplicadas no tratamento contra a endometriose.

Listamos os três tipos de métodos anticoncepcionais disponíveis abaixo, explicando quais são os hormônios usados em cada um e seus prós e contras.

Além disso, destacamos as dúvidas mais frequentes sobre a utilização da pílula, especificamente. Confira!

Tipos de métodos anticoncepcionais

Anticoncepcionais com 1 hormônio

São desenvolvidos com derivados da progesterona, como o desogestrel. Por gerarem menos efeitos colaterais, são recomendados para mulheres com predisposição à trombose,  por exemplo por questões genéticas, pressão alta ou pelo uso de tabaco.

Exemplos desse tipo de contracepção são:

  • pílula anticoncepcional;
  • anticoncepcional injetável: o hormônio é injetado em músculos dos braços ou das nádegas e são liberados no organismo à medida que o tecido é irrigado pelo sangue. Existe um modelo mensal, e um trimestral. Pelo efeito de depósito do hormônio, pode haver retenção de líquido e irregularidades no ciclo menstrual como efeitos colaterais;
  • implante: com duração de até três anos, trata-se de um bastonete de aproximadamente 2 cm que é inserido abaixo da pele do braço e que vai liberando pequenas doses de progestagênio na circulação. O implante é realizado em consultório, com anestesia local, e pode tanto interromper a menstruação quanto levar a ciclos irregulares;
  • dispositivo intrauterino (DIU) hormonal: é um pequeno objeto de plástico em formato de T inserido pelo colo do útero para atuar como contraceptivo. Nesse caso, é revestido pelo hormônio levonorgestrel, um sintético da progesterona. Ele atua afinando o endométrio, alterando o muco cervical (líquido viscoso que facilita o trajeto dos espermatozóides até os óvulos), além de promover um relaxamento do útero e tubas uterinas (o que dificulta o trajeto do óvulo até o útero)

Anticoncepcionais combinados

Esse tipo de anticoncepcional une dois hormônios diferentes,  derivados de estrogênio e progesterona. De acordo com as substâncias utilizadas, ele pode oferecer benefícios distintos. De forma geral, no entanto, reduz os sintomas menstruais, como a intensidade do fluxo e a cólica.

Um dos derivados sintéticos do estrogênio mais usados é o etinilestradiol. Ele está presente em diversos anticoncepcionais e a combinação com derivados de progesterona é que o torna útil para tratar muitos problemas.

Os que contenham, também, clormadinona têm ação positiva sobre a seborreia e a acne, melhorando o aspecto da pele como um todo.

As fórmulas que possuam ciproterona, além de diminuir as espinhas, controlam o crescimento excessivo de pelos no corpo e podem ser utilizadas na terapia contra ovários policísticos, por exemplo.

A associação com drospirenona, em adição aos benefícios à cútis já citados, evita a retenção de líquido e os inchaços.

Já os anticoncepcionais que tenham, também, levonorgestrel apresentam o efeito contrário sobre a acne, a oleosidade e a quantidade de pelos no corpo. Porém, diferentemente de outros que podem reduzir a libido, esse pode não modificar.

São exemplos, além da pílula e do anticoncepcional injetável mensal:

  • adesivo: eficaz e fácil de ser usado, o adesivo deve ser colado semanalmente, durante 21 dias, próximo ao abdômen, às nádegas, às costas ou às coxas. Os hormônios são liberados aos poucos, com poucos efeitos colaterais;  
  • anel vaginal: feito de silicone, o anel é composto por dois hormônios que vão sendo liberados no organismo gradativamente. Ele deve ser introduzido no canal vaginal pela própria mulher, onde deve permanecer por três semanas consecutivas, seguidas de uma de pausa.

Métodos não hormonais

Como o próprio nome já diz, os métodos contraceptivos de barreira têm como objetivo criar um obstáculo para a fertilização, ou seja, evitar que os espermatozoides cheguem até os óvulos. Eles não contêm hormônios. Os mais conhecidos são:

  • camisinha masculina: é considerada a alternativa mais eficiente não somente para prevenir a gravidez, mas para proteger de doenças sexualmente transmissíveis. Para que ela realmente funcione, deve ser colocada antes da penetração e não durante o ato;
  • camisinha feminina: apesar de menos popular que a versão masculina, é igualmente eficaz. A camisinha deve ser introduzida antes da penetração na cavidade vaginal, impedindo, assim, a passagem do espermatozoide. Ela deve ser retirada logo depois do término da relação;
  • diafragma: trata-se de um anel flexível coberto por uma membrana de borracha bem fina que deve ser colocado da mesma maneira que a camisinha feminina. Ele possui ação espermicida, ou seja, contém substâncias químicas que matam o espermatozoide. Por este motivo, o diafragma deve ser introduzido cerca de 30 minutos antes do ato sexual e retirado apenas depois de seis horas;
  • DIU de cobre: o diferencial do DIU é que a mulher não precisa colocá-lo e retirá-lo a cada relação. Isso porque ele deve ser inserido por um profissional e tem validade de até dez anos. Seu objetivo é tornar o útero um local hostil para o espermatozoide e isso ocorre graças à presença do cobre, que é espermicida. A substância, além disso, quando em contato com o endométrio, cria um leve processo inflamatório que não permite que o óvulo se instale ali em caso de fecundação.
  • DIU de prata: A diferença é que em sua composição tem cobre e prata e a durabilidade é de 5 anos.

Dúvidas frequentes sobre o mais popular dos métodos anticoncepcionais: a pílula

Pílula anticoncepcional engorda?

Na verdade, diferentemente do que muitas pessoas pensam, as pílulas não levam a um aumento de peso. O que acontece é que algumas delas podem desencadear uma maior retenção de líquido, causando inchaço e a sensação de estar “pesada”.

Para evitar esse efeito colateral, sugere-se a utilização de versões com baixa dosagem hormonal e que contenham progestagênio de  ação diurética, como a drospirenona.

Quem está amamentando pode tomar pílula?

Há algumas restrições quanto ao uso de pílulas anticoncepcionais no período de amamentação. Em 40 dias depois do parto, a mulher pode voltar a tomar o medicamento desde que ele não contenha estrogênio.

Quais pílulas beneficiam mais a pele?

As alternativas que oferecem mais benefícios para a pele são aquelas com ação antiandrogênica, ou seja, que inibem o desenvolvimento de características físicas masculinas na mulher.

Desta forma, as pílulas compostas que tenham substâncias como ciproterona, desogestrel e clormadinona diminuem a oleosidade, a acne e o surgimento excessivo de pelos.

Por que a pílula anticoncepcional pode ser utilizada para tratar endometriose?

A pílula é indicada contra a endometriose pois ela bloqueia a produção de alguns hormônios naturais, como o estrogênio, que estimula o crescimento do tecido do endométrio.

Além disso, apesar de não curar definitivamente a doença, ela minimiza os sintomas, o que ajuda a devolver qualidade de vida à paciente.

Pílula e trombose: qual é a relação?

A trombose ocorre quando há a formação de um coágulo em uma veia que bloqueia o fluxo sanguíneo, gerando dor e inchaço. Casos mais graves, quando o coágulo obstrui o vaso e chega em órgãos como pulmão e cérebro, podem levar a infartos e até à morte.

Dentre todas as pílulas anticoncepcionais, as que contenham drospirenona são consideradas as mais perigosas para o desenvolvimento dessa condição, pois afetam diretamente a coagulação do sangue.

Porém, é importante destacar que não necessariamente quem toma o medicamento terá trombose ou algum outro problema vascular. As chances aumentam se houver a presença de outros fatores de risco, como histórico familiar, tabagismo, diabetes, obesidade e pressão alta.

Quais os efeitos colaterais da pílula anticoncepcional?

Alguns efeitos colaterais são bastante comuns e variam, é claro, de pessoa para pessoa e de acordo com as substâncias presentes na pílula. Eles podem aparecer a curto prazo, ou seja, somente nos primeiros meses, mas, também, em ciclos aleatórios. Os principais são:

  • mal-estar e náusea;
  • dor de cabeça;
  • azia;
  • inchaço;
  • falta de libido;
  • sensibilidade nas mamas;
  • aumento de apetite;
  • insônia;
  • surgimento de manchas na pele ou acne.

No entanto, da mesma maneira que existem os pontos negativos, há os positivos, como a redução dos incômodos pré-menstruais, a elevação dos níveis de ferro no organismo e até o aumento da lubrificação vaginal.

O uso prolongado diminui a fertilidade?

O uso de anticoncepcional não reduz a fertilidade – inclusive, ela é restabelecida imediatamente após a descontinuação do método. Logo no primeiro mês após a interrupção da pílula, os ovários voltam a ter seus ciclos ovulatórios, e tudo volta completamente ao normal depois de três meses.

Afinal, qual o melhor método contraceptivo?

O melhor método anticoncepcional é aquele ao qual seu organismo se adaptar com mais facilidade e que ofereça menos efeitos colaterais.

Apesar de ser importante estar sempre bem informada sobre todas as alternativas disponíveis, lembre-se de que a escolha deve ser realizada com o auxílio de um médico ginecologista. Inclusive, qualquer modificação ou interrupção deve ser reportada ao profissional previamente.

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Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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