Nutrição

Mitos e verdades sobre alimentação na gravidez

alimentação na gravidez

São diversos os cuidados que a mulher precisa tomar ao longo da gestação, desde o uso de tintura no cabelo à prática de exercícios físicos. Dentre todos eles, um é ainda mais essencial para garantir a saúde e o desenvolvimento do bebê. Trata-se da nutrição.

De forma geral, a alimentação na gravidez não deve ser restritiva, até porque a mãe não deve fazer dieta durante esse período. Porém, ela precisa ser o mais saudável possível, rica em nutrientes, vitaminas e minerais, e, ao mesmo tempo, não deve conter produtos que possam prejudicar, de alguma maneira, a gestação.

Como são muitas as dúvidas sobre o assunto, destacamos os principais mitos e verdades sobre a alimentação na gravidez a fim de facilitar sua escolha de cardápio ao longo dos nove meses.

É importante destacar, porém, que nada substitui o acompanhamento de um nutricionista, pois somente ele conseguirá avaliar as necessidades e as restrições de cada paciente.

Alimentação na gravidez: o que pode e o que não pode?

Gestantes devem evitar comer peixe cru.

Verdade. Apesar de ser mito o fato de que peixe cru pode gerar malformação no feto e aborto, o ideal é não ingerir a carne nessas condições para não correr o risco de contrair alguma intoxicação alimentar. Assim, se o desejo for de comida japonesa, opte pelos pratos que contenham a proteína cozida.

A ingestão de legumes e vegetais crus é liberada.

Neste caso, a resposta é: depende da procedência. Os legumes e verduras são excelentes fontes de fibras, vitaminas e minerais. Porém, se não forem bem higienizados, podem conter microrganismos causadores de doenças. Entre aqueles que merecem a nossa atenção, está o parasita que causa a toxoplasmose. Durante a gestação, esta doença pode trazer problemas para o desenvolvimento do feto.

Por isso, as verduras, os legumes, e também as frutas, devem ser limpos com muito cuidado, para garantir que toda a sujeira seja removida. Pode ser usada uma escovinha própria para limpeza e, depois, eles devem ser mergulhados no cloro por cerca de 10 a 15 minutos.

Como em restaurantes não é possível ter certeza de que a higiene foi bem feita, sugere-se optar por legumes e verduras que estejam cozidos ou refogados, pois a alta temperatura elimina germes e bactérias. Também é preferível escolher frutas com casca.

Não se deve consumir carne crua ou mal passada.

Verdade. Quibe cru, carpaccio e aquele churrasquinho com carne mal passada não devem fazer parte da rotina nesse período. A carne crua também pode apresentar o parasita que transmite a toxoplasmose, além de outras bactérias perigosas durante a gestação.

Chás podem ser consumidos à vontade.

Mito. As ervas utilizadas para preparar os chás contêm fitoquímicos que exercem diversas funções em nosso organismo. Entretanto, alguns fitoquímicos podem ser nocivos ao bebê. Por essa razão, é preciso escolher bem o tipo de chá e limitar a quantidade ingerida.

Grávidas devem evitar muito café.

Verdade. Especialmente no primeiro trimestre de gestação, o excesso de cafeína pode ser prejudicial ao bebê. Não é preciso abolir o café, mas a quantidade não deve passar de duas a três xícaras por dia. E é preciso tomar cuidado com outras bebidas que contenham cafeína, como chás preto, mate e verde. Substituir por café descafeinado é uma boa opção.

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Gestantes devem restringir carboidratos e gorduras, e comer mais proteínas.

Mito. As gestantes, assim como qualquer pessoa, devem manter uma alimentação bem variada, que inclua todos os grupos alimentares. Nenhum macronutriente deve ser excluído da alimentação na gravidez, pois são fontes de energia, vitaminas e minerais fundamentais para a saúde da mãe e do bebê.

No entanto, o ideal é selecionar os produtos que ofereçam mais benefícios. Por exemplo, entre os carboidratos, prefira os alimentos feitos com cereais integrais, como pão integral e arroz integral.

As gorduras também são essenciais para a nutrição da mãe e formação do feto. Entretanto, o consumo de gorduras saturadas (carnes e laticínios gordos) pode ser diminuído, dando preferência às gorduras insaturadas (oleaginosas, abacate, azeite de oliva).

Quanto às proteínas, não é preciso aumentar a quantidade ingerida. No geral, as pessoas já comem mais proteína do que precisam. É interessante incluir mais carnes brancas, como peixe e frango, além das proteínas de origem vegetal, tais como lentilha, feijão, grão de bico, que são ótimas fontes de fibras também.

As fibras são fundamentais para a alimentação na gravidez.

Verdade. Elas são imprescindíveis para regular o funcionamento do intestino e evitar que a gestante tenha problemas como prisão de ventre, queixa muito comum durante esse período.

Além disso, elas possibilitam um tempo mais longo de saciedade, o que ajuda no controle da quantidade ingerida, evitando excessos. Porém, para que as fibras ofereçam esses benefícios, beber bastante água também tem que fazer parte do dia a dia.

Não se deve ingerir bebida alcóolica.

Verdade. Não existem quantidades seguras de álcool na gestação, pois não se sabe o quanto é suficiente para prejudicar a formação do bebê. Por isso, o ideal é evitar qualquer tipo de bebida alcóolica durante a gestação. E cerveja preta não aumenta a produção de leite!

O consumo de sal não influencia a gravidez.

Mito. Quando ingerido exageradamente, o sal pode ser bastante prejudicial, pois eleva a pressão arterial e aumenta a retenção de líquido. Para tornar a alimentação na gravidez mais saudável, é importante reduzir o sal de adição e substituir temperos salgados por condimentos e ervas naturais.

Ao longo da gestação, existem diversos cuidados que devem ser tomados, e a escolha correta de o que comer é um dos mais fundamentais. Para isso, é essencial consultar-se com um profissional da Nutrição e informar o médico que a acompanha sobre qualquer modificação na alimentação na gravidez.

Afinal, durante os nove meses, a mulher passa a comer não somente para si, mas para nutrir e garantir a saúde de seu bebê.

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Juliana Gropp

Juliana Gropp

Juliana Gropp é nutricionista formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Especializada em Nutrição nas doenças crônico-degenerativas pelo Hospital Israelita Albert Einstein – Especializada em Nutrição Clínica pelo Hospital Sírio Libanês.

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