Ginecologia e Obstetrícia

5 principais desafios do puerpério

Por dezembro 12, 2018 Nenhum comentário
principais desafios do puerpério

O puerpério, também conhecido como pós-parto, é um período muito importante e ao mesmo tempo delicado na vida de uma mulher. Ao mesmo tempo em que ela se encontra em um novo ciclo e ganha novas responsabilidades, ela necessita retomar sua vida aos poucos.

Esse período costuma durar de seis a oito semanas após o parto e, entre tantas oscilações, os principais desafios do puerpério envolvem o seu corpo, o psicológico e a mente. Desta forma, é preciso se preparar e contar com o apoio adequado para que essa fase seja ultrapassada da forma mais tranquila possível.

Para ajudá-la nisso, selecionamos os 5 principais desafios do puerpério e como, na prática, eles influenciam na vida da mulher. Além disso, destacamos alternativas muito úteis para superá-los e, assim, iniciar essa nova etapa sem grandes dificuldades.

É importante destacar que todos os sintomas e dificuldades sentidas durante o puerpério são completamente normais e possíveis de serem contornadas com leveza. Boa leitura!

Quais são os 5 principais desafios do puerpério?

1 – Depressão pós-parto

Um dos principais desafios do puerpério certamente é a depressão. Ela tem a ver com oscilações hormonais e novas responsabilidades, que influenciam diretamente nas emoções da mãe.

Além da queda brusca na produção de progesterona e estrogênio, que durante a gestação estava em alta, outro hormônio passa a mudar o humor feminino. Trata-se da prolactina, que, além de ser fundamental para a amamentação, influencia na sensibilidade.

Junto a essa bagunça hormonal, a mulher ainda se encontra em um cenário totalmente novo. Afinal, ela se tornou mãe de um dia para o outro e nem todas conseguem aflorar o sentimento de amor pelo bebê desde o seu nascimento.

Nas primeiras duas semanas após o parto podem ocorrer essas turbulências emocionais e é  chamado de “baby blues” ou “blues puerperal”, condição que gera sintomas como:

  • Irritabilidade;
  • Melancolia;
  • Choro fácil;
  • Preocupação excessiva com o bebê mesmo que ele esteja bem;
  • Dificuldade de se concentrar.

Apesar de serem sintomas comuns nesta fase, é fundamental o apoio da família e é preciso ficar atento pois se os sintomas perdurarem por mais de 2 semanas após o parto ou se tiver sinais graves pode ser depressão pós parto. Esta condição acomete de 10% a 15% das mulheres e alguns desses sinais são:

  • Tristeza intensa;
  • Isolamento;
  • Dificuldade de criar laços com o bebê ou até rejeição do bebê;
  • Sentimento de incapacidade;
  • Cansaço extremo e apatia;
  • Pensamentos negativos obsessivos.

Apesar desse distúrbio poder acometer todas as mulheres, costuma ser mais comum naquelas que tiveram um parto traumático ou tenham antecedente de depressão na vida.

2 – Amamentação

A amamentação está entre os principais desafios do puerpério porque, mais do que alimentar o bebê e trazer a imunidade, trata-se de um momento de interação entre mãe e filho e de criação de vínculo.

Apesar de toda a sua importância, muitas mulheres têm dificuldade de manter o ritmo da amamentação devido a dores e incômodos que podem surgir no seio.

Por isso, é muito importante realizar algumas manobras para tornar o processo mais confortável e, ao mesmo tempo, não prejudicar no desenvolvimento do bebê.

Assim, as recomendações mais comuns são:

  1. Preparar os mamilos durante a gestação como expor os mamilos no Sol ou luz apropriada, massagear suavemente os mamilos e aplicar pomada à base de lanolina.
  2. Testar mais de uma posição até chegar àquela em que filho realmente encaixe a boca no seio e não o machuque (boa pega);
  3. A cada mamada esvaziar primeiro 1 mama e oferecer a outra se necessário. Iniciar a próxima mamada pela última mama oferecida (ou a que ainda não foi mamada)
  4. Caso empedre a mama, chacoalhar a mama logo antes de oferecer para o bebê para que o leite flua melhor.

É importante que a mulher não desista da amamentação mesmo frente às adversidades, pois esse processo influencia diretamente no desenvolvimento saudável do bebê. Não exite em pedir ajuda do seu médico ou de uma consultora de amamentação se tiver alguma dificuldade.

3 – Mudanças no corpo

Durante a gestação, o corpo da mulher passa por diversas modificações para criar o ambiente mais adequado para que o bebê se desenvolva de forma saudável.

Assim, é inevitável que a mulher aumente seu peso e altere sua estrutura corporal, principalmente na região abdominal. Afinal, com o crescimento do útero e a readequação na posição dos órgãos, a barriga aumenta de tamanho.

Os seios também crescem para promover a amamentação. Muitas mulheres gostam dessa mudança, principalmente às que sempre quiseram que eles fossem mais avantajados, porém isso não é unanimidade.

Mesmo sabendo disso tudo, é normal que a mulher comece a ficar ansiosa e a se cobrar para ter o mesmo corpo de antes da gestação.

Nesse ponto, é importante deixar bem claro que algumas vezes  o corpo não volta a ser exatamente o mesmo de antes. Porém, isso não significa que mudou para pior, bem ao contrário.

4 – Sentimento de isolamento

Como a mulher tem direito à licença maternidade, a tendência é que ela fique muito tempo em casa. Isso porque um filho requer uma atenção diferenciada e, consequentemente, uma readequação das energias durante o dia.

Afinal, além da amamentação que é muito periódica  nesses primeiros meses, a mulher precisa fazê-lo dormir, dar banho e manter a casa dentro do possível organizada (o que muitas vezes faz com que não consiga nem cuidar de si).

Tudo isso acaba gerando um sentimento de isolamento, mesmo com o seu parceiro compartilhando as tarefas. A mulher pode sofrer com um cansaço extremo, ou seja, mesmo quando não está efetivamente junto de seu bebê, pode perder a vontade de realizar algo.  

5 – Opiniões e críticas sobre a sua criação

Dentre os principais desafios do puerpério, a questão das opiniões e críticas de terceiros é uma das que mais incomoda as mulheres.

Seja mãe, sogra, amiga ou qualquer outro familiar, é normal que as pessoas queiram dar sugestões para tentar ajudar nesse momento. Porém, o turbilhão de informações pode ser visto como algo negativo, principalmente quando eles forem conflitantes.

Para que tudo isso não leve a mais estresse e angústia, a mulher deve, dentro do possível, dar limite às pessoas e levar em consideração somente aquilo que ela acredite ser relevante.

Afinal, há dicas que podem ser sim úteis, mas cabe a mãe saber o que é melhor para seu filho. Portanto, deve assumir a responsabilidade para si.

Lembre-se que cada casa tem sua rotina, suas regras, e o que funciona para uma família não necessariamente é o melhor para outra. Ouça as críticas e opiniões com respeito e veja se isso realmente serve no seu caso. Acima de tudo, saiba que se a mamãe está bem, o bebê também está bem! 🙂

Como contornar os desafios do puerpério

Mais do que saber quais são os principais desafios do puerpério, é fundamental encontrar alternativas para contorná-los e, assim, evitar que esse período se torne algo pesado e frustrante.

Confira algumas dicas!

Informe-se sobre o puerpério

Muitas mulheres pesquisam sobre a gravidez e sobre o parto e acabam deixando de lado o puerpério. Seja porque acreditam que a fase mais difícil já passou ou porque simplesmente acham que conseguem dar conta. E o que acontece é que muitas são pegas de surpresa e podem ficar um pouco perdidas.

Assim, um dos passos fundamentais de um pós-parto saudável é estar a par de tudo que envolve esse período, desde a amamentação até as modificações corporais, mentais e psicológicas.

No momento em que se tem essas informações, é muito mais fácil estar preparado para elas.

Peça ajuda a sua rede de apoio

Não aceitar a opinião de todas as pessoas não significa que você não pode pedir ajuda. Ao contrário, contar com outras pessoas é importantíssimo, principalmente para compartilhar algumas tarefas mais complicadas.

Nesse cenário, porém, procure contar com pessoas realmente mais próximas e que irão agregar nesse momento, seja o companheiro, os pais, a sogra ou alguma amiga mais próxima.

Se for necessário contar com uma babá, não pense duas vezes. Isso não lhe tornará uma mãe pior, ao contrário, mostrará que você tem dificuldades e que, com o auxílio de terceiros, poderá desempenhar ainda melhor a sua função.

Em caso de depressão pós-parto, é importante procurar ajuda profissional. Afinal, uma terapia nesse momento poderá ser muito útil para prepará-la para a próxima etapa de retorno ao trabalho.

Organize as visitas

Nos primeiros meses, o bebê ainda está com seu sistema imunológico em desenvolvimento. Portanto, pode ser recomendado evitar as visitas ou ao menos contatos muito íntimos.

Uma dica para evitar ter que dizer não para as pessoas é avisar na sua rede social que, quando for possível, você mesma irá convidá-las.

Após esse período de maior isolamento, lembre-se de pedir que suas visitas higienizem as mãos antes de encostar no bebê e evitem beijar o seu rosto e até mesmo suas mãos, visto que nessa idade é normal que eles coloquem os dedos na boca.

Planeje a sua alimentação

Um dos principais desafios do puerpério é ter tempo para cozinhar para si mesma. Com isso, muitas mulheres acabam não se alimentando adequadamente, o que pode influenciar no seu estado de espírito e até nos nutrientes que serão transmitidos para o bebê através da amamentação.

Uma dica para evitar esse transtorno é planejar a sua alimentação, seja cozinhando para a semana toda, comprando pratos prontos congelados ou então pedindo que outra pessoa faça as suas marmitas.

Com todo o seu cansaço, certamente o seu companheiro não irá se importar em garantir a sua alimentação e, consequentemente, manter a sua saúde em dia. Aprenda a pedir ajuda!

Aceite-se!

Esse é um dos pontos mais importantes para um puerpério sem transtornos: aceite-se! Isso inclui consentir com seu corpo, suas limitações físicas, suas mudanças de humor e todas as novas responsabilidades.

Entenda que esse momento é único e que logo irá passar. Portanto, tente aproveitar ao máximo e se dedicar ao seu maior presente: o bebê!

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Lembre-se de contar, ainda, com o apoio de um especialista em todas as etapas gestacionais. Com certeza ele conhece os principais desafios do puerpério e saberá passar todas as orientações necessárias.

Além disso, é normal surgirem outras dúvidas que podem ser respondidas por ele, como se pode ou não pintar o cabelo durante a gestação e no pós-parto, por exemplo.

Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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