Ginecologia e Obstetrícia

Dor pélvica crônica: o que é?

Dor pélvica crônica

Dor, definitivamente, não é uma das melhores sensações para se ter. Ao contrário, por vezes, pode ser até paralisante.

Quem não se lembra de uma dor de dente enlouquecedora na adolescência? Uma dor de cabeça que te impede de compartilhar momentos felizes com familiares ou amigos? Ou mesmo do choro incessante do bebê quando está com cólica? Não importa o momento da vida ou onde ela se manifesta, dor sempre é sinal de que algo não está funcionando bem. Imagine, então, uma dor incessante?

Conviver com uma dor prolongada interfere não apenas na saúde da pessoa, mas em diversos setores, como o pessoal e o profissional, e por isso ela deve ser investigada.

Dentre os tipos de dores que acometem as mulheres, uma tem se destacado nos últimos anos: a dor pélvica crônica, caracterizada por sensação dolorosa persistente (duração superior a três a seis meses), na parte inferior do abdômen, que pode se manifestar ao urinar, ao ter relações sexuais, ou, talvez, ela se intensifica durante o período menstrual. Não se trata de uma doença, mas de uma síndrome que se pode verificar em diferentes enfermidades. Ela ocorre em homens e em mulheres, podendo ter causas e repercussões diferentes em ambos os sexos.

Estudos indicam que cerca de 15% das mulheres vão apresentar dor pélvica em algum momento da sua vida e ela ocorre com frequência quando estas estão em idade reprodutiva. A maior parte dos casos será decorrente de endometriose (cerca de 33%) ou outras causas ginecológicas. Porém, quase 40% das laparoscopias para avaliação de dor pélvica não recebem diagnóstico específico ou podem envolver diversas doenças combinadas. Por isso, é preciso escolher um especialista que faça uma cuidadosa investigação sobre as causas e, muitas vezes, será necessário combinar atuação interdisciplinar, na qual mais de um especialista trabalha em conjunto para a melhora da paciente.

A origem da dor pode ser visceral (órgãos internos) ou somática (músculos, ossos, ligamentos), com envolvimento dos sistemas musculoesquelético, ginecológico, urológico ou gastrointestinal. As particularidades da dor se diferenciam de mulher para mulher. Algumas apresentam dor moderada, que aparece e some de repente. Já outras, sentem dor severa e contínua, que prejudica o sono, a qualidade de vida e o trabalho.

O aspecto psicossocial tem grande importância nos casos de dor pélvica crônica. Aproximadamente 50% das paciente têm quadro de ansiedade e/ou depressão associado. Distúrbios do sono e distúrbios alimentares também são frequentes. Apesar de não causarem a dor pélvica, todas essas alterações psicossociais interferem na forma em que o cérebro percebe a dor pélvica, assim como na intensidade da dor percebida pela paciente.

O tratamento vai depender do que está originando o quadro de dor. Por isso cada caso deve ter uma abordagem individualizada. Mas, para garantir um tratamento adequado, é preciso antes fazer o diagnóstico correto, que nem sempre é fácil ou simples de se fazer. Por isso, muitas mulheres com dor pélvica crônica demoram meses a anos até encontrar um diagnóstico. A boa notícia é que na maioria dos casos é possível sim obter uma melhora significativa da dor, e recuperar a qualidade de vida.

*Dr. Tomyo Arazawa é ginecologista e obstetra, e especializou-se em cirurgias minimamente invasivas como cirurgias robóticas, video-laparoscópicas e video-histeroscópicas (os quais incluem as cirurgias de endometriose), e em medicina reprodutiva. É membro da Sociedade Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP), da American Society for Reproductive Medicine (ASRM), da American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL) e da International Pelvic Pain Society (IPPS).

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Dr. Tomyo Arazawa

Dr. Tomyo Arazawa

Me formei em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Após a faculdade, fiz Residência Médica e especialização e Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fui Médico Preceptor (chefe dos residentes) da Disciplina de Ginecologia da FMUSP logo após o término da residência médica. Me especializei em cirurgias minimamente invasivas, tais como cirurgias laparoscópicas, histeroscópicas e cirurgias robóticas. Hoje minha dedicação está voltada a atenção, assistência e estudos a pacientes com dor pélvica e especialmente endometriose.

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