Ginecologia e Obstetrícia

Desconforto na região pélvica? Pode ser bexiga caída

Por fevereiro 21, 2018 Nenhum comentário
bexiga caída

Bexiga caída, ou útero caído, é como popularmente é conhecido o prolapso genital.

Trata-se de um problema ginecológico em que acontece o enfraquecimento dos músculos da região pélvica ou das estruturas que sustentam os órgãos pélvicos, como fáscias e ligamentos. Isso causa o deslocamento de órgãos como útero, reto, intestino delgado, bexiga e uretra.

A dor no abdome é somente um dos sintomas do prolapso genital – que, apesar de ainda ser um assunto pouco difundido, atinge duas em cada 10 mulheres.

Para se ter uma ideia, até os 44 anos de idade, 7% da população feminina já tiveram bexiga caída. O ápice dos índices ocorre entre os 60 e os 69 anos, quando pode afetar mais de 30% delas.

A boa notícia é que a condição tem tratamento e, inclusive, pode ser evitada ou aliviada através de pequenas mudanças de hábito. Acompanhe!

Quais as causas da bexiga caída?

São diversos os fatores que podem contribuir para o surgimento do prolapso genital: idade, histórico familiar, obesidade e outras doenças que aumentem a pressão abdominal, como tosse crônica e tumores abdominopélvicos.

Porém, existem situações específicas que costumam causar o problema com mais frequência.

A gravidez é uma delas, visto que o peso da barriga eleva a pressão nessa região do abdome. Além disso, após o parto vaginal, a parede vaginal recupera sua força ao longo do tempo, mas há casos em que isso não ocorre (como por exemplo quando a mulher já deu à luz muitas crianças ou partos difíceis, prolongados ou com bebês grandes).

A chegada da menopausa é outro fator de risco para o desenvolvimento da bexiga caída, pois, nessa fase, há uma diminuição na produção de estrogênio, hormônio responsável, entre outras coisas, pela saúde dos músculos vaginais.

Mulheres que carreguem objetos muito pesados constantemente ou que precisem fazer muito esforço para defecar também estão propensas a ter prolapso genital. Ainda, o uso crônico do cigarro e doenças genéticas de colágeno também podem ser responsáveis por um colágeno mais fraco e consequentemente ligamentos mais fracos e também contribuem para o prolapso genital.

Principais sintomas

Os principais sintomas da bexiga caída são:

-dificuldade para urinar e evacuar;
-impressão de saliência na vagina (“bola na vagina”);
-sensação de pressão na vagina;
-incontinência urinária provocada por tosse, riso e até mesmo espirros;
-escape de urina e desconforto vaginal durante a relação sexual;
-dor no abdome.

Além dos incômodos físicos, há, ainda, os psicológicos, como perda da autoestima e a consequente diminuição das atividades sociais e sexuais. Isso porque as pacientes acabam ficando com vergonha até de falar sobre o assunto, optando por isolar-se cada vez mais.

Opções de tratamento

O tratamento para o prolapso genital varia de acordo com a intensidade dos sintomas.

Nos casos em que a mulher não sinta dor no abdome, a reabilitação perineal pode ser realizada com a fisioterapia pélvica, em que são indicados alguns exercícios que podem ser feitos em casa.

Quando o problema de bexiga caída se encontrar em estágio avançado e a portadora tiver dificuldade em executar suas tarefas diárias, é recomendada a cirurgia.

Nessa operação, os órgãos deslocados são reposicionados e é restaurada a estrutura de apoio. É como se fosse uma “plástica genital” em que as estruturas doentes são reconstruídas (seja com reforço das estruturas existentes, seja com uso de próteses como telas e faixas), e varia de procedimentos mais simples até procedimentos mais complexos como o reposicionamento de múltiplos órgãos ao mesmo tempo.

Uma opção paliativa, seja para devolver a qualidade de vida à paciente enquanto ela aguarda pela cirurgia ou para minimizar os sintomas enquanto a fisioterapia não surte efeito, é o uso de pessário. Pode até ser uma opção definitiva nos casos de contra-indicação de cirurgia ou se for o desejo da mulher.

Trata-se de uma estrutura de silicone que é inserida na vagina e faz com que os órgãos pélvicos se mantenham em seu lugar natural.

O produto está disponível em diferentes modelos e tamanhos. De acordo com a história da mulher e exame físico especializado o médico ginecologista pode indicar qual é o melhor tipo e tamanho. Caso o kit de pessários esteja disponível no consultório, a mulher pode experimentá-lo e verificar qual melhor se adapta à sua estrutura.

Mesmo sendo considerado uma solução temporária, visando um resultado imediato, o pessário surge como uma alternativa bastante eficiente. Profissionais especializados são os mais habilitados a prescrevê-lo.

Por fim, outro tratamento que pode auxiliar é a reposição hormonal, mas ele se destina mais às pacientes que estejam na menopausa.

É possível prevenir o prolapso genital!

Uma forma de prevenir a bexiga caída é praticar exercícios perineais, principalmente se existe o desejo de engravidar. Esse tipo de ginástica íntima consiste em atividades e estímulos que fortalecem a musculatura da região, mantendo sua tonicidade e o suprimento sanguíneo adequado.

Modalidades como ioga e pilates, se executadas corretamente, ou seja, contraindo os músculos da pelve, também são ótimas aliadas.

Além disso, evitar os fatores de risco, como o ganho excessivo de peso, a constipação e até a tosse crônica, cessar tabagismo é uma medida preventiva que pode deixar a mulher longe do prolapso genital.

Junto a isso tudo, lembre-se de que é fundamental fazer visitas periódicas ao ginecologista. Ter bexiga caída é muito mais comum do que se imagina. Porém, a condição pode ser de fácil resolução e afetar menos a qualidade de vida se for tratada com acompanhamento médico e precocemente.

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Lilian Fiorelli

Lilian Fiorelli

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também se especializou em Uroginecologia e Sexualidade Humana.

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