Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Tireoide: hormônios essenciais para a vida

Por fevereiro 18, 2016 Nenhum comentário
Tireoide hormônios essenciais

Sonolência ou perda de sono. Cansaço ou agitação. Intestino preso ou solto. Problemas com falta ou excesso de peso. Se o paciente chega ao consultório com alguma dessas queixas, o médico desconfiará que o problema esteja na tireoide.

Mas, por que isto acontece?

A glândula tireoide fica no pescoço, logo abaixo da laringe, onde estão localizadas as cordas vocais, na região que conhecemos como pomo-de-adão. Ela produz dois hormônios, tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4), que são levados através do sangue para todas as partes do corpo, onde eles regulam o metabolismo, que é a maneira como o seu corpo usa e armazena energia. Eles são responsáveis para que todas as células do organismo funcionem de forma equilibrada.

A função da tireoide é controlada pela hipófise (uma pequena glândula localizada na base do cérebro), que por sua vez produz o hormônio estimulante da tireoide (TSH), que induz a tireoide a produzir T3 e T4. Os dois hormônios produzidos pela tireoide têm atuações em diversas funções do nosso organismo como, por exemplo, o ritmo cardíaco, o tônus muscular, o ciclo menstrual, a digestão etc. Portanto a produção adequada destes hormônios é tão importante para o organismo.

Quando a glândula de uma pessoa começa a produzir uma quantidade excessiva de hormônios, dizemos que ela está com hipertireoidismo. É uma condição que apresenta tremores, nervosismo, suor intenso, perda de peso, irritabilidade e pressão arterial alta.

Há casos graves em que a pessoa tem aumento da tireoide (bócio) e pode ter também exoftalmia (olhos esbugalhados). Se não tratado, o hipertireoidismo pode levar a outros problemas de saúde. Alguns dos mais graves envolvem o coração (batimentos cardíacos acelerados e irregulares, insuficiência cardíaca congestiva) e os ossos (osteoporose). Vale destacar, porém, que pessoas com hipertireoidismo leve e idosos podem não apresentar sintomas.

A falta de iodo no organismo provoca o chamado bócio endêmico ou bócio carencial, o que se caracteriza pelo aumento da glândula. Isso acontece porque, para que a tireoide consiga produzir os hormônios, é necessário que haja átomos de iodo.

O hormônio TSH que estimula a tireoide a produzir hormônios não para de estimulá-la e, com isso, ela continua a produção de hormônios, mesmo sem os átomos de iodo. Em consequência a este estímulo intenso do TSH, a glândula tireoide aumenta de tamanho. É por isso que, no Brasil, a adição de iodo no sal de cozinha é obrigatória, mas há outros alimentos em que podemos encontrar o iodo, como peixes de água salgada, frutos do mar (lagostas, ostras, camarão, sardinhas, bacalhau), leite e alguns legumes como vagem, agrião, cebola, alho-poró, rabanete e nabo.

No hipotireoidismo ocorre o contrário e a glândula produz quantidades insuficientes de hormônios. Neste caso, a pessoa apresenta apatia, lentidão dos movimentos, sonolência, ganho de peso, frequência cardíaca baixa, sensação de frio, pele ressecada, inchaço em algumas partes do corpo, entre outros sintomas.

Vale lembrar ainda que o hipotireoidismo é a doença mais comum da tireoide, ocorre mais frequentemente em mulheres e pessoas com mais de 60 anos de idade e tende a se repetir entre os membros da família. A falta de hormônio tireoideano (por defeito no desenvolvimento da glândula tireoide ou por deficiência na síntese hormonal) durante a gestação pode acarretar em um retardo no desenvolvimento mental e físico da criança. Esta condição é chamada de Cretinismo. Este problema pode ser detectado através do teste do pezinho no recém nascido.

A calcitonina é outro hormônio produzido pela tireoide, mas em quantidades pequenas. Esse hormônio auxilia na diminuição da quantidade de cálcio no sangue e atua em conjunto com o hormônio produzido pelas glândulas paratireoides, no controle dos níveis normais de cálcio no sangue. É por isso que os hormônios da tireoide são tão importantes e considerados essenciais para vida.

Portanto, se sentir qualquer destes sintomas, o ideal é procurar o médico. Só ele poderá dizer quais são os exames necessários para confirmar o diagnóstico e indicar o melhor tratamento de acordo com cada caso.

*Dr. Jorge Kim é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e em Doenças da Tireoide e Paratireoide. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) e é membro da equipe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP HC-FMUSP).

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Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim é formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fez residência médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital das Clínicas da FMUSP e foi Preceptor (chefe dos residentes) na Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HC-FMUSP.

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