Dermatologia

Por que procedimentos estéticos invasivos devem ser feitos por especialistas?

Procedimentos Estéticos Invasivos

“Sou uma mulher de 43 anos, no auge da vida e carreira. Contudo, me incomodo bastante com a aparência. Minha pele apresenta algumas imperfeições, como rugas e marcas de expressões, o que prejudica a autoestima. Mas, recentemente, em uma consulta com meu dentista, ele indicou que eu aplicasse botox e preenchimento, e que os procedimentos resolveriam meu problema. Me interessei pela possibilidade, afinal, quem não quer se sentir melhor com sua própria aparência? Então, no mesmo momento, agendei uma data para fazer a aplicação.

Quando o dia estava se aproximando, comecei a ficar nervosa e ansiosa, então resolvi buscar uma segunda opinião, com amigos que já haviam feito o procedimento. Esses amigos me alertaram que a aplicação do botox e do preenchimento se tratava de um procedimento invasivo, e contaram as experiências que tiveram.

Assim, algumas dúvidas me surgiram:

– Será que preciso fazer algum exame ou avaliação médica antes?

– Será que tenho alguma doença que possa complicar, após o procedimento?

– Será que os medicamentos que tomo podem interagir com a toxina botulínica ou  com o material do preenchimento?

Como sou medrosa, desisti. Achei melhor pesquisar mais e ouvir a opinião de outras pessoas e profissionais. Mas, e se eu tivesse feito o procedimento e algo desse errado? Como me sentiria hoje? Talvez, culpada por ter decidido fazer, sem refletir direito?

Como estaria a autoestima que quero tanto melhorar? Será que eu poderia ter colocado a minha saúde em risco? Será que o profissional que se propôs a fazer as aplicações saberia manejar adequadamente um efeito inesperado? “

Por que procedimentos estéticos invasivos devem ser feitos por profissionais formados em medicina e especializados na área de cosmiatria e estética facial?

Procedimentos estéticos invasivos como a aplicação de toxina botulínica (botox) e o preenchimento com ácido hialurônico, devem ser feitos por médicos, com especialização em cosmiatria e estética. Isso porque, quanto maior for o tempo de formação e de especialização, maior será a chance de um resultado bem sucedido e menor será o risco de complicações e de efeitos indesejados. No total, são 6 anos de medicina e mais 3 ou 4 anos de especialização. É fundamental uma compreensão ampla e consolidada da anatomia e da saúde do paciente.

O profissional médico com especialização em cosmiatria e estética, ao realizar procedimentos estéticos invasivos, é capacitado para:

– Investigar se o paciente tem doenças que possam ser agravadas pelo procedimento ou que possam interferir no resultado do procedimento;

– Verificar se o paciente possui predisposição a sangramentos. Caso isso seja confirmado, o médico pode analisar o caso e assim realizar o procedimento da forma adequada;

– Verificar se a paciente está grávida, através da solicitação de exame para investigar e orientar quais são os procedimentos que devem ser evitados;

– Identificar doenças autoimunes, como lúpus. Dessa forma, o médico pode examinar ou avaliar com o reumatologista, se há condições de realizar o procedimento com segurança;

– Averiguar se a pessoa toma algum medicamento que interage com os produtos que serão injetados e orientá-la caso isso ocorra;

– Verificar se a cicatrização do paciente é boa. Se não for, o dermatologista é capaz de tratar uma cicatriz alterada;

– Investigar alergias aos componentes injetáveis. Nesses casos, o médico é capacitado para tratar a reação alérgica ou preveni-la;

– Solicitar exames de imagem para investigar procedimentos prévios ou complicações possíveis (ultrassonografia, tomografia, ressonância);

– Prescrever antibióticos, anti-inflamatórios e outros medicamentos, de forma responsável (tipo de medicamento e tempo adequados para não prejudicar órgãos como os rins e o estômago);

– Esclarecer, de modo transparente, todas as complicações possíveis, inerentes ao procedimento;

– Compreender muito bem a anatomia do local tratado. Há vasos importantes que não devem ter seu fluxo prejudicado, pelo risco de isquemia e necrose dos tecidos irrigados por ele. É fundamental reconhecer outras estruturas nobres, como nervos e músculos, para um procedimento bem sucedido e seguro;

–  Identificar se uma mancha é benigna e apenas um incômodo estético ou se é um possível câncer de pele. Se houver essa suspeita, o dermatologista precisa fazer a confirmação desse diagnóstico por um procedimento cirúrgico (biópsia), seguido de exame anátomo-patológico. Se o diagnóstico for confirmado, o dermatologista é o profissional capacitado para conduzir o tratamento mais adequado.

Sabendo de todas as capacitações de um médico especialista, é importante ter em mente que todo procedimento estético deve ser feito de forma consciente. Não banalize um procedimento injetável ou invasivo em seu corpo ou rosto, pois isso é muito sério e exige muita responsabilidade. Além da sua aparência, sua saúde está em jogo! Por isso, não arrisque sua pele. Lembre-se que sua saúde está acima de tudo!

Dra. Ana Paula Takeuchi

Dra. Ana Paula Takeuchi

Dra. Ana Paula Takeuchi é médica formada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez residência médica em Dermatologia no Hospital das Clínicas da FMUSP.

1
Olá! Posso te ajudar com alguma dúvida sobre agendamento de consultas?
Powered by