Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Entenda o que é e como tratar o hiperparatireoidismo

Por fevereiro 21, 2018 Nenhum comentário
hiperparatireoidismo

O hiperparatireoidismo é uma doença que se caracteriza pelo excesso de produção do paratormônio (PTH) devido a algum distúrbio em uma ou mais glândulas paratireoides. O PTH é um dos responsáveis por regular os níveis de cálcio no organismo. Ele age, portanto, nos ossos, nos rins e, indiretamente, no intestino delgado.

E não confunda: apesar de serem termos parecidos, hiper/hipotireoidismo e hiper/hipoparatireoidismo são doenças completamente diferentes. As primeiras são da  tireoide e as últimas, das glândulas paratireoides, gerando problemas distintos. Paratireoide possui o prefixo grego “para”, que significa “ao lado de”; portanto, as paratireoides estão ao lado da tireoide.

Tipos de hiperparatireoidismo

O hiperparatireoidismo é classificado em três tipos, e cada um deles tem uma origem específica:

  • primário: é o mais comum. Ocorre quando existe uma produção excessiva de PTH por uma ou mais paratireoides;
  • secundário: nesse caso, a alta produção do paratormônio é causada por algum fator que leva à queda de cálcio no sangue (por exemplo pacientes com doença renal crônica ou com deficiência de Vitamina D), e, desta forma, as paratireoides aumentam a produção hormonal para suprir esta deficiência;
  • terciário: geralmente é consequente a um hiperparatireoidismo secundário no qual as paratireoides tornam-se autônomas e passam a produzir o PTH excessivamente independente de qualquer fator.

O que causa o hiperparatireoidismo

Nos casos de hiperparatireoidismo primário (que corresponde a maioria dos casos), a fonte do problema é a presença de um tumor benigno conhecido como adenoma em uma (ou mais) das quatro glândulas paratireoides, localizadas posteriormente à  tireoide.

Outras causas do primário podem ser devido a outros tumores raros que levam ao aumento de produção hormonal e até de tamanho de todas as paratireoides e, ainda mais raramente, pela ocorrência de uma neoplasia maligna.

Já o hiperparatireoidismo secundário, como o próprio nome diz, é consequência de um fator causador; neste caso o estímulo para o aumento da produção de PTH é a queda do cálcio no organismo, geralmente em pacientes portadores de doença renal crônica . Desta forma, as paratireoides aumentam a produção do paratormônio a fim elevar o cálcio que está sendo depletado. Outra condição para o secundarismo é a deficiência de Vitamina D porque ela é uma das responsáveis pela absorção de cálcio; portanto, a queda desta vitamina leva a um aumento do funcionamento das paratireoides.

O hiperparatireoidismo terciário geralmente é consequência do secundário prolongado. Nele, as paratireoides, que já estavam hiperfuncionantes devido a um estímulo causador, tornam-se autônomas, não necessitando mais deste estímulo para produzirem o PTH excessivamente. Geralmente este caso acontece com pacientes portadores de doença renal crônica.

Principais sintomas

Quando há essa superprodução hormonal, a taxa de cálcio no sangue se eleva e causa uma condição chamada hipercalcemia. Nos casos leves, o paciente pode não sentir nada e apenas descobrir a doença em exames de rotina.

Conforme a gravidade aumenta, vão aparecendo os sintomas.

No hiperparatireoidismo primário, os principais órgãos-alvos são os rins e os ossos. A hipercalcemia gera a nefrolitíase, que é a formação de cálculos nos rins. Além disso, o aumento de cálcio no sangue é decorrente da descalcificação dos ossos e, a longo prazo, os ossos ficam fragilizados (osteoporose).

É possível ter fraqueza muscular, fadiga, letargia, perda de apetite e de peso, anorexia, dor na região abdominal, constipação, náusea, vômito, sonolência, dificuldade de concentração, confusão mental, dor nos ossos e até depressão.

Caso o hiperparatireoidismo não seja tratado e o quadro se mantenha por muito tempo, podem surgir problemas digestivos, provavelmente associados a uma úlcera duodenal e pancreatite, insuficiência e cólica renal, atrofia muscular, dores mais fortes nos ossos, aumento da pressão arterial e alteração cardíaca e visual.

Claro que não necessariamente o paciente sentirá e apresentará tudo isso. Os sintomas variam de pessoa para pessoa, inclusive na intensidade. O importante é que, assim que algo de diferente seja notado, uma ajuda profissional seja procurada imediatamente para obter um diagnóstico preciso.

Quais exames diagnosticam o hiperparatireoidismo

A partir da suspeita clínica, exames laboratoriais são solicitados para se confirmar o diagnóstico. O exame de sangue pode mostrar alterações na dosagem de cálcio e fósforo, além de indicar taxas elevadas de PTH.

O exame de urina também é importante para a complementação diagnóstica pois há alterações na excreção de cálcio pela urina.

Frente ao diagnóstico de hiperparatireoidismo, alguns exames voltados aos órgãos-alvos principais são pedidos: a ultrassonografia de vias urinárias e a cintilografia óssea. A primeira é para avaliar a presença de cálculos e a morfologia dos rins e a segunda, para a condição dos ossos.

Por fim, os exames localizatórios das glândulas doentes são realizados. Estes são: a ultrassonografia de pescoço e a cintilografia de paratireoides. Estes exames auxiliam na visualização das glândulas aumentadas de volume e com funcionamento excessivo. Desta forma, eles ajudam o médico para a conduta terapêutica.

Como tratar a doença

A terapia para o hiperparatireoidismo, inevitavelmente, é a cirurgia. Esta operação consiste em remover uma ou mais glândulas doentes. Porém, o tratamento para os diferentes tipos de hiperparatireoidismo possui variações que devem ser analisadas cautelosamente pelo médico que conduz o caso.

Lembre-se de que tudo deve ser feito com o acompanhamento de um médico, pois somente ele saberá orientar o paciente e tratar a condição de maneira que ela não volte a incomodar.

 

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Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim é formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fez residência médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital das Clínicas da FMUSP e foi Preceptor (chefe dos residentes) na Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HC-FMUSP.

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