Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Cistos congênitos: o que você precisa saber

cistos congênitos

Cistos congênitos são tumores que se desenvolvem no momento ou, até mesmo, antes do nascimento, resultado de uma malformação. Eles se manifestam espontaneamente, ou seja, de maneira natural, sem que haja influência externa.

Ambos os tipos, tanto o cisto tireoglosso quanto o cisto branquial, são lesões benignas que raramente podem ser notadas no período neonatal. Conforme os anos passam, eles vão ganhando forma e, então, torna-se possível identificá-los.

Como, muitas vezes, os sintomas levam a um diagnóstico equivocado, é importante ficar atento ao surgimento de qualquer espécie de “caroço” no pescoço.

Apesar de benignos, é fundamental tratar os cistos congênitos adequadamente para que eles não aumentem de tamanho e sofram infecções.

Abaixo, você vai saber tudo sobre cada um destes cistos congênitos. Confira!

Cisto tireoglosso

O cisto tireoglosso se origina de uma malformação no fechamento do ducto tireoglosso, que está relacionado ao desenvolvimento da língua, do osso hioide e da tireoide.

Esse cisto congênito aparece sob a forma de uma pequena lesão esférica e costuma ser percebido a partir da fase pré-escolar. Geralmente, não apresenta sintomas, mas, em alguns casos, pode ser local de infecções recorrentes.

Na grande maioria dos casos, o cisto tireoglosso é benigno, não havendo necessidade de maiores preocupações. A chance de ele ser acometido por um câncer é menor que 1%.

Como este cisto congênito se desenvolve?

Na etapa embrionária, conforme a língua vai se desenvolvendo, o chamado divertículo tireoideo, que, inicialmente, fica na base da língua, se transforma em glândula tireoide e começa a “descer” até sua posição natural no pescoço. Nesse meio-tempo, o osso hioide, que se situa neste caminho de migração, também está em evolução.

Esses acontecimentos simultâneos podem levar o ducto tireoglosso, que é a ligação entre o divertículo e o forame cego (estrutura anatômica presente na língua), a transpassar o osso hioide.

Quando a tireoide chega ao seu posicionamento correto no pescoço, o ducto tireoglosso atrofia, mas uma pequena parte permanece com ele. Isso pode causar o surgimento de um cisto congênito tireoglosso, que se aloca em um dos pontos entre a base da língua e a tireoide.

Formas de tratamento

A cirurgia é o único tratamento disponível para esse tumor. A operação consiste em remoção do cisto e todo o trajeto do ducto tireoglosso envolvendo a parte central do osso hioide até a base da língua.

Cisto congênito branquial

Cistos branquiais são cistos congênitos que se desenvolvem devido ao não fechamento das fendas branquiais durante a fase embrionária. Eles se situam em um dos lados do pescoço, mais especificamente em frente ao músculo esternocleidomastoideo, que se inicia atrás da orelha e se estende até a clavícula.

Como o nódulo vai ampliando sua forma ovalada aos poucos, ele costuma não ser visualizado até a adolescência. Porém, sua evolução pode perdurar até os 30 anos de idade, atingindo um tamanho de 2 a 5 cm.

Quais os sintomas?

Além da presença visível e palpável de um nódulo, esse cisto congênito pode acarretar dores locais e tende a ser associado a processos inflamatórios na boca e na orofaringe. Em casos mais complicados, o Cisto Branquial pode ser acometido por uma infecção.

Tratamento para o cisto branquial

Como no caso do cisto tireoglosso, a terapia se dá unicamente através de cirurgia. A remoção do nódulo é altamente indicada, independentemente da idade, pois sua permanência no pescoço eleva as chances de infecção.

A operação é considerada de médio risco, mas isso varia de acordo com a anatomia de cada cisto. Por isso, é importante realizar o procedimento com um profissional capacitado, para que nenhum nervo, artéria ou veia sejam comprometidos.

Apesar de os cistos congênitos serem benignos, os médicos alertam que é essencial que o paciente busque ajuda caso note a presença de qualquer tipo de “caroço” nessa região.

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar infecções e conter o aumento de tamanho do nódulo. Além disso, quanto mais cedo o tratamento for feito, mais cedo a pessoa estará recuperada.

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Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim é formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fez residência médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital das Clínicas da FMUSP e foi Preceptor (chefe dos residentes) na Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HC-FMUSP.

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