Cirurgia de Cabeça e Pescoço

A cirurgia da tireoide

Por fevereiro 11, 2016 Nenhum comentário
cirurgia da tireoide

É muito normal e comum que qualquer pessoa que vá passar por uma cirurgia fique com medo. Por isso, é rotineiro que o paciente busque uma segunda opinião antes de realizar o procedimento: seja para conferir a necessidade de realização da cirurgia, seja para buscar mais informações sobre o processo.

No caso das cirurgias de tireoide (denominadas tireoidectomias), um dos principais medos que o paciente apresenta é o receio de perder a voz, já que a glândula é próxima aos nervos responsáveis pelos movimentos das cordas vocais. Por causa deste receio, muitos pacientes questionam se poderão falar ou comer logo após a realização do procedimento. A resposta para as duas perguntas é: sim!

A principal restrição no pós-operatório é quanto ao esforço físico. Atividades físicas ou aquelas em que haja utilização de força devem ser evitadas. Este cuidado é para diminuir o risco de possível sangramento. Isto não quer dizer que tem necessidade de repouso absoluto. É permitido andar, subir escadas, desde que com moderação. É válido ressaltar que, durante a realização do procedimento, o cirurgião isola os nervos das cordas vocais para protegê-lo e, assim, poder concretizar a remoção da tireoide. Com este cuidado e o procedimento sendo realizado por um cirurgião experiente, o risco é minimizado.

O que pode ocorrer é uma pequena alteração na voz do paciente, mas que tende a normalizar em até algumas semanas após a realização da cirurgia. Estas mudanças na voz podem ser rouquidão, dificuldade em alcançar notas agudas ou cansaço ao falar.

Apesar das cirurgias de tireoide apresentarem um índice muito baixo de complicações, é importante lembrar que toda cirurgia envolve risco. Um dos possíveis riscos ao procedimento na tireoide é a hipocalcemia (queda no nível de cálcio), resultante de uma diminuição temporária ou definitiva da função das glândulas paratireoides. Estas glândulas localizam-se atrás da tireoide e são responsáveis pela produção do hormônio paratormônio (PTH), que é um dos responsáveis pelo metabolismo do cálcio.

Na cirurgia, é preciso descolá-las da tireoide. Só pelo fato de manipulá-las, elas podem ficar muito “preguiçosas”; neste caso o paciente poderá necessitar de reposição de cálcio. Em alguns casos, quando há dificuldades maiores na manipulação das paratireoides ou há necessidade de sacrifício de paratireoides por acometimento do tumor de tireoide, o paciente poderá ficar com hipoparatireoidismo definitivo, podendo necessitar de reposição de cálcio por um tempo mais prolongado ou até para sempre. É preciso reforçar que isto é um risco inerente ao procedimento.

Vale ainda destacar que é normal os pacientes apresentarem tosse no período pós-operatório, devido à manipulação das estruturas do pescoço como a laringe, traqueia e músculos da região anterior do pescoço. Este sintoma tende a regredir espontaneamente.

Na cirurgia de tireoide, se a indicação for retirar toda a tireoide (tireoidectomia total) uma consequência inerente é a reposição hormonal. Este é feito através de uso de comprimido que é geralmente ingerido em jejum logo após acordar. De modo geral, o processo pós-operatório é pouco doloroso, porém é comum sentir uma sensação de garganta inflamada por até uma semana após a cirurgia. E, a maioria do tempo de internação hospitalar é de 2 dias, podendo ser até de 1 dia, dependendo da evolução do paciente.

O ideal é sanar todas as dúvidas antes de qualquer procedimento ou tratamento; por isso, sempre que sentir necessidade, converse com o seu médico.

*Dr. Jorge Kim é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e em Doenças da Tireoide e Paratireoide. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) e é membro da equipe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP HC-FMUSP).

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Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim

Dr. Jorge Kim é formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fez residência médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital das Clínicas da FMUSP e foi Preceptor (chefe dos residentes) na Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HC-FMUSP.

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