E quando o laudo da biópsia do nódulo da tireoide é inconclusivo?

 In Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Nódulos na tireoide são um dos diagnósticos mais comuns que muitas pessoas irão encontrar na vida. Estima-se que até um terço das mulheres adultas apresentem este diagnóstico. Além disso, o risco de se ter um nódulo de tireoide aumenta com o passar dos anos, principalmente a partir dos 50 anos. Há pesquisas que indicam que 50% das pessoas com mais de 50 anos possuem pelo menos 1 nódulo de tireoide e esta taxa aumenta conforme o avançar da idade.

É importante, contudo, dizer que ter um nódulo tireoideano não é necessariamente uma doença grave, porém ele deve ser avaliado e acompanhado por um médico. Os nódulos da tireoide são lesões geralmente arredondadas que surgem dentro desta glândula, podendo ser causados por várias condições. Na maioria dos casos, este nódulo é benigno e pode não trazer maiores complicações para a pessoa. Menos de 5% dos nódulos identificados são de natureza maligna, ou seja, câncer. Para este diagnóstico, o exame mais adequado é a biópsia, conhecida por Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF), na qual o cito-patologista pode averiguar o material aspirado para elucidação diagnóstica.

Apesar de todo avanço da medicina, há muitos casos em que o resultado da PAAF apresenta laudo inconclusivo, isto é, não é possível de se concluir se é benigno ou maligno. Nestes casos, o que fazer?

O diagnóstico inconclusivo ou “padrão folicular” – como denominamos nos laudos – precisa ser analisado individualmente. Não há uma regra única que sirva para todas as situações. Há circunstâncias em que o médico pode indicar a cirurgia de retirada dos nódulos; em outras ocasiões, um simples acompanhamento pode ser o melhor tratamento. Tudo irá depender de diversos fatores avaliados pelo médico. Alguns fatores analisados são: histórico familiar do paciente sobre problemas na tireoide e ocorrência de câncer, sinais e sintomas, os aspectos dos nódulos e das células analisadas na PAAF.

Atualmente, há testes moleculares que são realizados nos materiais colhidos nas PAAFs. Trata-se de uma série de reações com alguns marcadores que formam um painel final a ser interpretado pelo cito-patologista. Estes testes reforçam a chance do resultado ser mais favorável à benignidade ou malignidade. Desta forma, nas situações em que o médico possui dúvidas em relação à indicação de tratamento ou se o paciente também possui questionamentos e incertezas, estes testes podem ser realizados a fim de direcionar a conduta final. Mesmo assim, cada caso deve ser avaliado individualmente. É importante também ressaltar que estes testes moleculares possuem ainda um custo elevado e não são disponíveis em larga escala; portanto, eles devem ser realizados para casos bem selecionados.

O essencial é nunca deixar de consultar o médico e seguir corretamente as suas instruções.

*Dr. Jorge Kim é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e em Doenças da Tireoide e Paratireoide. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) e atualmente é membro da equipe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP HC-FMUSP).

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